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A inflação e a chuva

A inflação e a chuva

As vozes críticas iniciais contra o acordo de Portugal e de Espanha com a Comissão Europeia para o estabelecimento de um mecanismo temporário que permite fixar o preço médio do gás nos 50 euros por MWh estão a dissipar-se, apesar de, ultimamente, devido à onda de calor, os consumos da luz terem subido de forma brusca.

Não se pretende aqui ser o defensor do Governo, mas esta é uma matéria que nem todos conseguiram reconsiderar e aplaudir o efeito benéfico da medida. Embora a eletricidade esteja mais cara do que há alguns meses, o lógico seria questionar o que teria acontecido aos preços sem este travão? A resposta é clara: seriam ainda mais insuportáveis.

A chamada "exceção ibérica" teve o condão de desligar os dois países dos preços de gás praticados no resto da Europa e, apesar da luz continuar a subir, a escalada é consideravelmente menor do que a registada em países como a Alemanha, Itália, França ou Bélgica.

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Quando passar este calor mais sufocante, o mecanismo de travão do preço ainda será mais evidente. Claro está que a baixa produção da energia hidráulica (as barragens estão quase vazias) e eólica (o vento não sopra) obriga a uma maior produção da luz através do gás. Mas, com a chegada do outono e, com ele, o vento e as esperadas chuvas, haverá um alívio da seca e permitirá que as barragens voltem a operar com uma capacidade razoável. Sim, a chuva vai ajudar a reduzir a inflação. Ou seja, menos consumo de gás = eletricidade mais barata = preços baixam = inflação baixa.

Uma das pontas soltas tem a ver com a possibilidade de os clientes poderem sair da empresa fornecedora de eletricidade e voltarem aos preços impostos pelo Estado. Ou seja, se houver um aumento da fatura da luz em valores catastróficos (15% a 40%), poderá uma família voltar ao mercado regulado? E se quem estabelece os preços do Estado, neste caso o regulador ERSE, também decidir um aumento indecoroso? Para onde se viram as famílias? Para António Costa, claro.

*Editor-executivo

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