Opinião

A minha tia e Trump

A minha tia ainda hoje acredita que o Homem nunca pôs os pés na Lua. Por mais evidências que lhe tenha mostrado ao longo da vida - tem 80 anos -, recusa-se a acreditar que o astronauta americano Neil Amstrong foi o primeiro ser humano a pisar a superfície lunar a 20 de julho de 1969. Anos antes, em 1962, o presidente assassinado John F. Kennedy dizia "nós [americanos] escolhemos ir à Lua".

Esse discurso tinha o objetivo de persuadir o povo norte-americano em apoiar a continuação do programa espacial dos Estados Unidos. A minha tia diz que foi tudo invenção da televisão. A minha tia, neste aspeto, é um pouco parecida com o atual presidente dos Estados Unidos, com a vantagem de ser bem mais inteligente porque faz, por exemplo, a separação do lixo e vai às compras com um saco de pano.

Donald Trump, como líder da maior potência mundial que é, deveria ser o primeiro a alertar para a emergência climática e ter como objetivo a salvação do Planeta, mas faz exatamente o contrário. Tal como a minha tia não acredita na alunagem, Trump desconfia dos cientistas que já provaram por A mais B que há alterações climáticas e que o Planeta precisa de ser cuidado. Mas percebe-se a sua posição quando diz que a sua aposta é a ida a Marte.

Faz mesmo lembrar aqueles filmes apocalípticos em que o vilão destrói a Terra e a solução passa por habitar Marte. E antes que o desastre aconteça, o melhor é enviar o vilão para o planeta vermelho. E não só. Nesse voo interplanetário, podemos incluir os países que se estão a borrifar para as alterações climáticas e que são os mais poluentes do planeta: a China e a Índia.

Que adianta a Europa andar preocupada se os países a quem mais lhe poderia interessar o tema o ignoram, sabendo perfeitamente que as mudanças climáticas não têm fronteiras? E que, tanto nos EUA como na China, há já vários exemplos de que algo de muito grave está a mudar na Terra.

*Editor-executivo