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Opinião

Armar até aos dentes

Na sequência do conflito entre a Rússia e a Ucrânia, o ministro da Defesa, João Gomes Cravinho, já admitiu aumentar o orçamento das Forças Armadas nos próximos anos, de forma a poder cumprir o que está estipulado.

Ou seja, atingir os 2% do Produto Interno Bruto em investimento na Defesa. Atualmente está nos 1,5%. Esta decisão, que será resolvida pelo Governo que tomará posse esta semana, vem romper com um velho tabu da Esquerda mais à esquerda. E se, em legislaturas anteriores, António Costa precisava do PCP e do BE para o seu ámen, desta vez deverá cumprir o que foi acordado na cimeira da NATO em 2014. Com a maioria absoluta, o primeiro-ministro dispensa a "geringonça", ironicamente deitada fora por dois dos partidos mais afetados nas últimas legislativas. Se o anterior Governo foi abaixo por um Orçamento do Estado de desagrado para o PCP e BE, o que dizer de um próximo OE belicista? Portugal, como grande parte dos países europeus - a começar pela vizinha Espanha - manteve-se sempre muito longe do compromisso assumido com os seus parceiros de Defesa. A mais que provável decisão de António Costa de reforçar os gastos com a Defesa está diretamente ligada à invasão da Ucrânia por Vladimir Putin e a forte reação da União Europeia no apoio a Zelensky, com sanções económicas duríssimas contra a Rússia.

Na verdade, a União Europeia mudou de atitude em apenas dois dias porque viu tremer a estabilidade das democracias dentro do seu próprio território. Uma mudança histórica que fez com que a Alemanha anunciasse um investimento de 100 mil milhões de euros no reforço das forças armadas. A influência desestabilizadora de Putin nos últimos anos, com financiamentos à extrema-direita europeia, materializa-se agora com a invasão a um país vizinho. Coisa que a Europa já não pode tolerar. Na sua imensa maioria, a sociedade europeia repudia a extorsão militar do Golias contra David. É que a Ucrânia não poderá usar apenas uma fisga contra a Rússia. A Europa tem um papel e esse é de se reforçar ela própria sem se subordinar aos interesses dos Estados Unidos nem aos dos russos. Ninguém quer que, pela terceira vez, os norte-americanos venham "salvar" o Velho Continente, nem que países importantes como a Alemanha estejam gasodependentes de Putin.

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Editor-executivo

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