Opinião

"G'anda seca"

Com o país a ferro e fogo, urge alertar que, com as alterações climáticas, este tipo de fenómenos de temperaturas altas serão mais frequentes, não só em Portugal, mas um pouco por todo o Mediterrâneo, contribuindo para a seca extrema em que todos estamos mergulhados.

Não foi só António Costa que decidiu um alerta de contingência em todo o país devido aos incêndios. Itália teve de declarar o estado de emergência em várias regiões pela falta de água e em Espanha as barragens já estão em mínimos históricos.

Nesta questão, é importante diferenciar a seca da escassez de água. A seca está relacionada com a falta de precipitação numa determinada zona abaixo dos níveis médios considerados de referência. Em Portugal, as secas não são novas e, por isso, quem tem responsabilidade deve contar com elas para fazer uma melhor gestão dos recursos hídricos, o que nem sempre acontece. Coisa diferente é a escassez de água. Ou seja, a falta de recursos suficientes para satisfazer o consumo de água. Digamos que a seca é um conceito meteorológico, a escassez de água é um problema socioeconómico. Embora interligados, faz toda a diferença. Até porque pode haver regiões com falta de água que não estão catalogadas de seca.

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Por isso, o Plano Nacional da Água incorpora uma gestão planificada das secas, incluindo planos de emergência municipal para impedir que os concelhos deixem de ser abastecidos de água. Em Portugal, mais de 75% da água vai para a agricultura, mas de toda essa água, cerca de um terço é desperdiçada, segundo alertou Pimenta Machado, vice-presidente da Agência Portuguesa do Ambiente, recentemente ao "Jornal de Notícias". A razão é simples: o desperdício deve-se à falta de investimento. Os sistemas são antigos, muitos construídos nos anos de 1950.

Mas não é só o setor agrícola. As cidades ainda podem fazer muito pela poupança de água, investindo na renovação da rede, evitando fugas desnecessárias. E, claro, os consumidores.

*Editor-executivo

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