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Indolentes e preguiçosos

Todos concordamos com António Costa: os salários dos portugueses têm de convergir para a média europeia. Um desiderato com que ninguém pode discordar, nem mesmo os patrões, e que fica muito bem num congresso, não só do PS mas de qualquer outro partido. É a velha máxima de transferir dinheiro para a população de forma a que o consumo interno suba sem que, para isso, haja um esforço visível de quem trabalha.

É evidente que os cortes sofridos nos anos da intervenção externa devem ser repostos ao nível do que a economia do país aguenta. Que todos temos o direito a uma melhor vida e que os políticos prometam isso, é a normalidade.

Temos inveja dos salários praticados em Espanha, França ou Alemanha. Não entendemos porque não podemos chegar lá. Aos nossos olhos, trabalhamos que se farta, com muitas horas dedicadas à profissão e poucas à família.

Mas vem a estatística fria e calculista: aos olhos dos países mais ricos, somos uns indolentes, com feriados a mais e pontes sem fim. Estamos muitas horas no emprego, mas o resultado final é diminuto. Olhando para os dados da Pordata, Portugal figura em 19.º lugar na União Europeia no que toca a produtividade, muito longe da média europeia e com poucos progressos em 21 anos. Sem nos alongarmos nos números, verificamos que um português trabalha menos 32% que a média dos 28 países europeus. Os nossos vizinhos espanhóis trabalham mais 39 pontos percentuais e a Alemanha tem uma produtividade 65 pontos percentuais acima de Portugal. Estamos, pois, reduzidos à expressão de preguiçosos. Será assim? Podemos dizer que em Portugal, a população ativa tem vindo a cair paulatinamente, que não são contabilizadas as horas a mais que ficamos para além do horário e assim por diante.

A questão é que Espanha sofre dos mesmos males e está bem à frente de Portugal. Os resultados da produtividade estão intimamente ligados ao crescimento da riqueza do país, o chamado produto interno bruto (PIB). E, nesse aspeto, os resultados de Portugal nestas duas décadas foram miseráveis.

O primeiro-ministro diz-se um otimista, irritante até, segundo Marcelo Rebelo de Sousa. Disse que tinha acabado com o mito de que só a Direita sabe governar a economia e as finanças públicas. Sim, é verdade. Assim como as estatísticas não enganam na produtividade, também os números apresentados pelo Governo são esmagadores para a oposição.

Veremos se o desafio lançado por Costa à Concertação Social, o de fazer "um grande acordo para as novas gerações", nos permite aproximar da Europa não só nos salários, mas também na criação de riqueza.

EDITOR-EXECUTIVO