A abrir

Empregos há muitos...

Empregos há muitos...

Para quem tem trabalho cheira a férias e adivinha-se emprego para quem não o tem. O verão chegou e as região mais turísticas estão a preparar-se para absorver mais pessoas, nem que seja temporariamente. É isso que dizem as previsões do Instituto Nacional de Estatística, principalmente nos setores da restauração e hotelaria e, claro está, no Algarve, Lisboa e Porto.

O INE estima que a criação líquida de emprego neste verão seja de 15%. Falta saber é se a oferta é atrativa para quem queira trabalhar em setores que normalmente pagam mal e em que a precariedade é palavra de ordem.

O Algarve vai novamente encher-se de turistas e a região desespera por cozinheiros, empregados de mesa e de limpeza. Basta dar uma vista de olhos para a oferta do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) para se perceber que não há pessoas para tanta procura. Este puzzle de encaixe entre o que os hotéis e restaurantes estão dispostos a oferecer e o que a força laboral procura está longe de ser perfeito.

É que a taxa de desemprego no Algarve anda por volta dos 5%. Ou seja, quase não há desemprego. Os anúncios de emprego estão por todo o lado. O que fazer numa situação destas? Em vez de se aumentar salários, aliciam-se os jovens estudantes a trabalhar como empregados de mesa, de bares ou mesmo a fazer trabalhos de limpeza pagos à hora. Não que se esteja contra. Até porque é uma forma de muitos terem um contacto com o trabalho antes de terminar o curso. Vale pela experiência. Não vale é pela exploração que muitos patrões aproveitam, fazendo pagamentos por baixo da mesa e fugindo aos impostos.

Pagar cerca de 2,50 euros por hora a trabalhadores precários, o que dá um valor próximo dos 400 euros se fizer sete horas por dia, não é nada aliciante. Mesmo para um trabalhador-estudante.

* EDITOR-EXECUTIVO

ver mais vídeos