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Tudo em família

Tudo em família

Enquanto no sábado a "galinha" Netta, de Israel, ganhava em Lisboa a Eurovisão com a canção Toy, Benjamin Netanyahu começava a semana de trabalho - que para os judeus se inicia ao domingo - saudando dois grandes acontecimentos para o país: a possibilidade de Israel organizar no próximo ano o festival europeu em plena Jerusalém e a inauguração da embaixada dos Estados Unidos na cidade santa.

Não foi inocente a saudação de Benjamin Netanyahu na entrada da reunião do Governo. É que a Europa, com a exceção da Áustria, Hungria, Roménia e República Checa, não está com Donald Trump na decisão de mudar a embaixada americana para Jerusalém mas o país acabou por levar um grande evento europeu de 300 milhões de espectadores de Lisboa para a "nova" capital israelita.

O mais grave é que a decisão de Trump já está a fazer graves estragos, muito antes da inauguração da polémica embaixada. Até este momento já são mais de 90 as mortes desde que se iniciaram os protestos em Gaza, das quais 55 ontem. O caricato é que a figura de Trump surge como apaziguadora na Ásia - já o afloraram como candidato a Prémio Nobel da Paz - ao promover uma maior abertura com a Coreia do Norte e, ao mesmo tempo, desafia o Mundo muçulmano quando cede aos desejos de Israel em ter Jerusalém como capital.

Esta cedência está intimamente ligada à sua família, tal como em várias áreas da sua governação. Não foi por acaso que mandou Ivanka Trump inaugurar a embaixada em Jerusalém. A filha é casada com Jared Kushner, o principal conselheiro de Donald para a política externa. Mas Kushner, para além de discreto, bem-falante, é também neto de sobreviventes do Holocausto que fugiram da Polónia durante a II Guerra Mundial e chegaram aos Estados Unidos em 1949. O sogro do presidente dos EUA é um judeu ortodoxo que leva a religião muito a sério. Aliás, Ivanka teve de se converter ao judaísmo antes de se casar com Kushner em 2009. Nunca Israel teve um aliado tão poderoso junto da Casa Branca.

"Que haja paz. Que Deus abençoe esta embaixada". Foi assim que Donald Trump terminou a sua mensagem de vídeo divulgada na inauguração. Desde essa mensagem, há mais de 90 mortos, cerca de 2500 feridos - todos palestinianos - e a Força Aérea israelita atacou o centro de treino militar do Hamas em Gaza. Os líderes palestinianos recusam-se a negociar tendo como mediador os Estados Unidos e os líderes europeus condenaram a violência em Gaza. Tudo em família.

* EDITOR-EXECUTIVO

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