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Opinião

Um para o outro

Quando hoje nos depararmos com as imagens de uns homens de fato negro e gravata a correr junto à limusina do presidente da Coreia do Norte, Kim Jong-un, estaremos certos que, finalmente, houve um encontro histórico. É uma cimeira de excêntricos que, cada um à sua maneira, poderá moldar o Mundo. Em Singapura, mais propriamente na ilha Sentosa, respirou-se desconfiança às toneladas.

Todos têm razões para estar céticos, inclusive os próprios, mas é da mais elementar justiça que estes dois personagens conseguiram o impossível em décadas. Em princípio, estiveram juntos à mesma mesa para chegarem a acordo em três áreas fundamentais: a desnuclearização da Coreia do Norte, a normalização diplomática e a forma de, após cedências, o regime norte-coreano não ser abalado por uma qualquer "primavera asiática".

Do espalhafatoso presidente dos Estados Unidos tudo se pode esperar. Já o provou na questão do Irão em que, depois de meses de negociações meticulosas para se chegar a um acordo, Trump rasgou tudo e marimbou-se para os aliados europeus.
O que esperar de um homem que estudou na Suíça, amante da NBA e dos Chicago Bulls? Que quando chegou ao poder, em vez de abrir o regime, optou pelas purgas e uma aceleração do programa nuclear superior à do pai e do avô? Que fez desaparecer o irmão e o tio?

À hora que estiver a ler esta crónica, muito provavelmente já saberemos no que resultou o encontro entre estas duas figuras icónicas. Mas não esqueçamos que Kim Jong-un e o seu regime é culpado, segundo as Nações Unidas, de 10 dos 11 crimes internacionalmente reconhecidos como contra a Humanidade. De fora só ficou a segregação racial. Enquanto o ditador constrói um centro de espetáculos de golfinhos, 30,9% da população é subnutrida.

EDITOR-EXECUTIVO

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