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Opinião

No verão, verão

Está a cumprir-se um ano desde que se detetou no país o primeiro caso de infeção da covid-19. No meio de uma alarmante situação da terceira vaga da pandemia e da errática gestão sanitária do Governo, ainda não conseguimos vislumbrar um plano económico sério para dar resposta ao descalabro de setores fundamentais à nossa sobrevivência, desde o turismo às exportações de têxteis, calçado ou vinho.

Em princípio, com a vacinação em marcha, o Executivo já deveria estar a trabalhar a forma como estimular o crescimento económico, sem correr o risco de enfrentar os problemas prementes com respostas em cima do joelho, como vem acontecendo nas ajudas à economia e às famílias: caem a conta-gotas, com pouco dinheiro e altamente burocráticas, para fazer desistir o empresário mais paciente. Não há dúvida. Portugal continua sem ter um projeto sério que não seja agarrado ao Plano de Resiliência. Olhemos para o turismo, o setor que nos últimos cinco anos impulsionou a nossa economia e que continua a ter uma importância fundamental no PIB. Segue ao sabor do vento um resgate daquele que é um setor basilar e do qual dependem milhões de portugueses. No Algarve, os trabalhadores estão quase sem apoios e, alguns, obrigados a pedir comida para sobreviver. Uma tragédia comovente, aliada ao facto das ameaças de despejo por falta de pagamento de rendas dos pequenos empresários da restauração e hotelaria. As poucas ajudas diretas condenam à falência e ao encerramento muitos estabelecimentos. Vem aí a Páscoa, já perdida em termos turísticos. E no verão? Teremos de esperar para ver? Há algum plano patrocinado pelo Governo para tentar reativar o turismo? Países como a Grécia há muito que estão a negociar corredores seguros com o Reino Unido, com um nível de vacinação que atrai os visitantes, por oferecer segurança. Se quisermos um patamar seguro, muito provavelmente, a taxa de vacinação teria que ser bastante multiplicada.

*Editor-executivo

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