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Resistência nacional

Resistência nacional

Como já se adivinhou, a nossa vida, aquela que nos chega aos bolsos, não vai ser nada fácil. Mas não entremos em pânico.

A guerra na Ucrânia já está afetar as economias portuguesa e europeia há algum tempo e os últimos suspiros da covid ainda pairam sobre o Mundo. Nos Estados Unidos já se nota uma mudança de ciclo, com os primeiros dados da riqueza do país a caírem devido a uma alteração na política monetária da Federal Reserve. A juntar a isto, em Pequim, as exigentes medidas de confinamento devido à covid estão a representar um risco adicional na cadeia de fornecimento global de toda uma miríade de produtos fabricados no país de Xi Jinping. E por fim, mas não menos importante, o conflito na Ucrânia, que desencadeou mais inflação na Europa, com a energia e as matérias-primas a liderarem.

Com este panorama internacional, era de esperar um descalabro nas contas nacionais dos primeiros meses deste ano. Não foi isso que aconteceu. Após um crescimento de 4,9% em 2021, a economia portuguesa cresceu 2,6% em cadeia nos primeiros três meses deste ano e, em termos homólogos, o PIB avançou 11,9%.

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Não fosse a inflação ter disparado para 7,2% em abril, o valor mais elevado dos últimos 29 anos, e estaríamos menos preocupados, até porque a taxa de desemprego em março recuou para os 5,7% face ao mesmo mês do ano passado, quando o país estava a sair do segundo confinamento. Por enquanto, os alarmismos que há algumas semanas se delineavam no horizonte imediato de estagflação (estagnação com inflação) estão fora de questão, já que não haverá estagnação se o PIB crescer a uma taxa acima de 4%. Esta evolução é relevante porque os efeitos negativos na perda de poder de compra, na erosão das poupanças e na redução da competitividade das empresas são muito tangíveis. Ou seja, se os preços começarem a cair - com a preciosa ajuda do pacto político alcançado em Bruxelas para baixar custos de energia -, os riscos irão diminuir consideravelmente. Caso contrário, o Governo pode ser obrigado a rever os planos, a fim de manter uma velocidade de cruzeiro do PIB suficientemente alta para atingir a recuperação. Depois de duas grandes crises no espaço de 15 anos, o passado recente obriga-nos a acompanhar de perto os números, ainda que chatos e maçudos para alguns. Os riscos estão à espreita.

*Editor-executivo

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