Opinião

Salvar a Páscoa?

Foi o primeiro a manifestar-se contra o encerramento das escolas quando o Governo decidiu colocar o país em confinamento quase total e, após uma ténue luz ao fundo do túnel, é o primeiro a dizer que os estabelecimentos de ensino devem desconfinar rapidamente.

O ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, não desiste da ideia de que o ambiente escolar pouco contribuiu para a escalada da terceira vaga e quer rapidamente os alunos a ter aulas presenciais. Na verdade, ontem, o número de novas infeções por covid-19 desceu da barreira das três mil, o que aconteceu pela primeira vez desde 28 de dezembro. É apenas mais um dado, mas parece indicar que Portugal já superou o pico da incidência da terceira vaga da pandemia. A melhoria é tão ligeira que não é admissível relaxar, até porque ainda há 71% dos concelhos com uma taxa de incidência superior a 960 casos por 100 mil habitantes. Esta incipiente melhoria ainda não se traduz numa descida significativa em termos de pressão sobre os hospitais ou na mortalidade. A situação é ainda de extrema gravidade e não se deve cometer o erro de levantar as restrições demasiado cedo, como ocorreu na primeira e na segunda vaga. Desta vez, temos a vacina do nosso lado, mas o vírus já demonstrou ser resistente e traiçoeiro. Nada contra um ministro que dá expectativas de esperança de que as escolas possam abrir o ensino presencial mais cedo do que o previsto. Mas já vimos que este discurso não dá resultado. As pessoas tendem a relaxar. A situação é tão frágil que, na menor oportunidade, a infeção pode voltar a escalar e, como pudemos comprovar, os novos casos e o número de mortos sobe muito mais depressa do que baixa. Um Natal relaxado - e a nova variante do Reino Unido - levaram o país a uma situação extrema. Neste quadro, não há que relaxar nas medidas. E se lhe disserem que é para salvar a Páscoa, não acredite. Salvámos o Natal e foi o que foi. Temos é de pensar em como salvar vidas.

*Editor-executivo

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