Opinião

Tudo está bem quando acaba bem

Tudo está bem quando acaba bem

Consistência e continuidade. Após três dias reunido em congresso, o PCP não conseguiu acrescentar ao debate mais do que aquilo que já demonstrou ao longo de décadas.

Alguns chamam-lhe consistência no discurso, outros falta de novas ideias para a sociedade civil. Para além do incontornável tema da pandemia, o que saiu do congresso dos comunistas foi o mesmo que há 16 anos, quando Jerónimo de Sousa assumiu o cargo de secretário-geral. Ou seja, acentuar as diferenças em relação ao Partido Socialista, apesar de nos últimos cinco anos ter sido um aliado fundamental para António Costa, tanto no tempo da "geringonça" como agora, ao viabilizar o Orçamento do Estado para o próximo ano. Em 2004, o PCP concluiu que o XVII Congresso "é expressão de uma prática democrática sem paralelo na vida partidária portuguesa". Em 2016, a conclusão foi que o congresso "constituiu um extraordinário momento de afirmação do partido, da sua identidade, ação e força". Ainda não sabemos as conclusões do mais recente, mas andarão perto das mesmas que são feitas de quatro em quatro anos, num partido onde não existem crises políticas internas e em que a (quase) unanimidade é um padrão. E perante estes argumentos, pergunta-se se o partido evoluiu? De certa forma, sim, porque, após décadas de oposição cerrada ao PS, o último mandato de Jerónimo de Sousa fez uma aproximação aos socialistas nunca antes vista. Apesar de o discurso oficial contrariar todos os factos. Nem mesmo com o Bloco de Esquerda a crescer e o PCP a diminuir em votos, nunca Jerónimo de Sousa conseguiu fazer uma crítica direta a quem lhe anda a "roubar" eleitorado. "Bloco de Esquerda" são duas palavras proibidas. E no congresso viu-se: no discurso de encerramento, Jerónimo escondeu mais uma vez a crítica direta ao afirmar que "enquanto alguns desistiam" [o Bloco], os comunistas conseguiram vitórias para os trabalhadores e reformados.

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