Opinião

A geopolítica autárquica

A geopolítica autárquica

A propósito da entrega de dados sobre os manifestantes, pela Câmara de Lisboa, à Embaixada da Rússia, rebentou o que poderá ser um escândalo sem culpados.

O presidente Fernando Medina só tomou contacto com o problema através dos média. Até aí tudo bem! Mas então quem é o responsável? Não há um simples porteiro, sem intenção depreciativa para os mesmos, a exemplo dos filmes policiais, que possa ser declarado culpado e demitido de seguida?

Sabemos que estão eleições à porta, e a gestão, em Lisboa, pelo PS e por Fernando Medina não tem sido famosa. Apontado à sucessão de António Costa como um forte candidato, Fernando Medina sofre, não só, com os naturais ataques de Carlos Moedas mas também com os que têm origem no interior do PS na linha de Pedro Nuno Santos.

Se a maioria absoluta já pode ter desaparecido resta-lhe inaugurar o ainda por concluir Jardim de Gonçalo Ribeiro Teles, na Praça de Espanha, para se desviar as atenções. O mesmo Ribeiro Teles que no tempo da saudosa AD era um perigoso reacionário. Como diria um outro antigo dirigente socialista, é a vida.

No Porto, o PS abdicou de ter uma candidatura forte. Foi pena mas o que não se consegue compreender é o triste espetáculo que o PS acabou por trazer para cima da mesa.

Perdido o efeito surpresa de uma candidatura, o PS lá foi pedir a Tiago Barbosa Ribeiro para mais um serviço de sacrifício, ainda que seja a crédito, pelos próximos quatro anos.

Não se compreende esta maneira de fazer política, ou melhor, compreende-se que o PS começou a luta da sucessão de António Costa sem esperar pela sua vontade, o que vai acentuar a "balcanização" do PS.

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Este comportamento político acaba por evidenciar a necessidade de um PSD ativo, como Oposição, e que encare estas eleições autárquicas com um forte sentido de responsabilidade e de vontade de vencer.

A geopolítica, aqui num sentido mais residual do que aquele que usamos nas relações internacionais, chegou às eleições autárquicas com a questão da utilização dos dados dos manifestantes junto de entidades terceiras. Mas veio para ficar. Exemplo disso é a escolha do candidato do Chega ao Porto, o ainda autarca António Fonseca, que poderá trazer alguma surpresa ao combate eleitoral e, de certeza, muita adrenalina na contagem final dos votos.

Um sinal vamos retirar desta luta eleitoral. O povo vai ser mais exigente com os partidos e, também, com os chamados independentes. Afinal, com estas eleições, como diria Francisco Sá Carneiro, " consolidaremos a democracia. E a democracia consolida-se utilizando, enfim e sobretudo, processos democráticos - porque democrata é aquele que pratica a democracia e não aquele que dela apenas se reivindica".

*Professor universitário de Ciência Política

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