Opinião

Bloco: Esquerda ou Central?

Bloco: Esquerda ou Central?

A propósito das eleições legislativas tem-se falado muito da necessidade de governabilidade assente num bloco político que consiga reunir uma maioria sólida e coerente que permita, no âmbito da incidência parlamentar, dar condições de vida a um qualquer governo.

António Costa escolheu na sua primeira encarnação o Bloco de Esquerda para formar essa solução, a qual durou seis anos, na forma de uma geringonça.

No quadro das eleições diretas do PSD, quer Rio Rio quer Paulo Rangel sabem que o fantasma de um outro bloco, o Central, paira sobre as suas opções políticas.

A experiência mostrou que o único governo de Bloco Central durou o tempo necessário para resolver os problemas da intervenção do FMI e da conclusão das negociações para entrar na CEE. Nada disto parece ser hoje necessário.

Torna-se claro que é ao centro que se fazem as reformas estruturais necessárias para a sociedade e a economia portuguesa. Os 2/3 que a Constituição exige só são possíveis numa articulação entre o PS e o PSD.

As eleições de 30 de janeiro não devem esclarecer nada de novo até porque o espaço político à Direita foi apanhado em contraciclo e sem capacidade de se apresentar com um discurso alternativo para criar um bloco alternativo que permita governar Portugal. O PSD vai a votos, na ressaca de um confronto interno, e sem conseguir mobilizar o pequeno espaço político à sua direita nem atrair os eleitores de centro-esquerda descontentes com o PS.

Restam ainda as chamadas linhas vermelhas onde se insere o Chega. Aqui parece-me que a resposta deveria ser mais clara, esperando que este retire do seu programa e da sua iniciativa política tudo aquilo que não cumpre a Constituição ou não integra o património de respeito pela dignidade da pessoa humana.

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O Chega não é alternativa a qualquer partido democrático como o PSD nem tão-pouco tem condições para integrar uma coligação governamental devido às diferenças de avaliação política. Quanto a um apoio parlamentar, o mesmo deve obedecer a princípios escritos e ser muito claro sobre o Orçamento do Estado e de matérias que venham a sinalizar-se como importantes.

As reformas estão aí: segurança social, envelhecimento, demografia, justiça, saúde, fiscal ou educação. Temas não faltam, para tornar Portugal mais competitivo, com capacidade de gerir riqueza, sabendo produzir para depois distribuir.

Resta saber se nesta luta política pelo PSD não estará em causa, antes, o preparar o caminho para certos candidatos presidenciais. Na próxima semana já sabemos.

*Professor universitário de Ciência Política

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