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Opinião

Leituras de verão

Lembro com saudade o meu antigo colega no Parlamento deputado socialista José Lelo, o qual por alturas do Natal e do verão elaborava uma listagem de livros como sugestões de leitura. Essa prática tinha a vantagem de nos alertar para algumas escolhas para um tempo onde existe maior disponibilidade de leitura.

Com base nessa ideia não quis deixar de referir alguns livros que podem ser objeto de leitura nessas férias. Daí que a minha recomendação nada tenha a ver com romances ou livros de leitura menos complexa, mas antes com livros que costumamos referenciar como de consulta ou de estudo.

Fundamentalmente vão ser biografias ou livros clássicos porque me parece que os primeiros nos ajudam a conhecer os homens, em determinado contexto de exigência, e os segundos porque nos remetem para o tempo da história ou da geografia onde, como nos dizia Karl Marx, tudo se repete, primeiro como tragédia e depois como farsa.

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Deixo então algumas leituras na forma de sugestões.

Três biografias, a primeira sobre Francisco Pinto Balsemão, um homem da política e da Comunicação Social, a segunda sobre Napoleão, cujo autor, Adam Zamoyski, nos dá uma nova leitura de alguém que abriu um novo mundo no equilíbrio das relações internacionais na Europa, e a terceira sobre W. Churchill, da autoria do futuro ex-primeiro-ministro inglês Boris Johnson, o qual pouco aprendeu com a sua investigação.

Os clássicos serão inevitavelmente o "Príncipe", de Nicolau Maquiavel, a propósito de conselho para a governança, "O caminho da servidão", de Friedrich Hayek, com o perigo do Estado totalitário, e "Eichmann em Jerusalém", sobre a banalidade do mal de Hannah Arendt.

Leituras que resumem toda uma posição perante o Mundo e que nos fazem compreender a importância da ideologia e o perigoso da sua escolha. A importância do Estado social, o relevo para a liberdade económica e o respeito pelos direitos humanos evidenciam a linha mestra de leitura. Pena é que muitos responsáveis nunca tenham feito esta leitura para o seu exercício de cidadania. Muitos outros livros poderiam ser sugeridos, mas não faltarão alturas porque, como dizia Jorge Luís Borges, "se lemos um livro antigo, é como se lêssemos todo o tempo que transcorreu até nós desde o dia em que ele foi escrito. Por isso convém manter o culto do livro. O livro pode estar cheio de coisas erradas, podemos não estar de acordo com as opiniões do autor, mas mesmo assim conserva alguma coisa de sagrado, algo de divino, não para ser objeto de respeito supersticioso, mas para que o abordemos com o desejo de encontrar felicidade, de encontrar sabedoria".

*Professor universitário de Ciência Política

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