Opinião

O novo tempo da guerra

O novo tempo da guerra

Após o dia 9 de maio, a guerra, entre a Ucrânia e a Rússia, entrou num novo momento. Putin acabou, pela sua atitude guerreira, de criar as condições para se alterar a ordem mundial, desde 1989 aceite.

De um lado conseguiu que a Suécia e a Finlândia digam adeus à sua neutralidade ao pedirem, até ao final do ano, para entrarem na NATO. Ao mesmo tempo conseguiu que a crise alimentar ganhe mais expressão com a Índia a suspender as exportações de trigo?

Não contente com estes resultados está a tentar cortar a energia à Finlândia e a ver os restantes europeus a aumentarem as sanções económicas.

A solidariedade emocional com a Ucrânia continua e esta até conseguiu vencer o Festival Eurovisão, dando mais uma vez destaque à justa causa daquele país. No meio desta confusão, o G7 acelera o desgaste da economia russa, e em Portugal já se começa a sentir o embargo aos bens dos oligarcas como Abramovich e só Erdogan está aparentemente a fugir a este consenso ao questionar a unanimidade na adesão finlandesa à NATO. A Moldávia também pediu para entrar na União Europeia e o tema do alargamento volta, de novo, para cima da mesa, pois a Turquia e os estados dos Balcãs ficam na expectativa de também serem envolvidos nesse processo.

Putin aproveitou o dia da vitória para fazer um discurso vazio, sem capacidade de mobilização interna e de ameaça à comunidade internacional.

Parece que a realidade alternativa de Putin não se enquadra na realidade da comunidade internacional estando cada vez mais a afastar-se da hipótese de um diálogo diplomático para se colocar um fim ao conflito.

Esta atitude russa não vai conduzir Vladimir Putin a lado nenhum. Vai, pelo contrário, criar as condições para alguma contestação interna e o afastamento da comunidade internacional. O Mundo não compreende o que esta Rússia pretende. No passado a Rússia ou a URSS tiveram sempre uma atitude de conflito, mas com aliados definidos e algum pragmatismo à mistura. Agora nada disso parece estar a acontecer?

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Até lá os serviços secretos ucranianos informam que o líder russo estará gravemente doente e que vão ganhar a guerra até ao final do ano. Entretanto os russos parecem estarem a perder na contraofensiva de Kharkiv. As maiores reservas energéticas da Ucrânia estão no Donbass onde só a região de Dniepre-Donetsk corresponde a 80% das reservas comprovação e a cerca de 90% da produção de gás. Talvez isto explique a nova fase da guerra que Putin pretende desenvolver.

Este novo tempo da guerra começa a correr contra a expectativa de voltar a paz àquela região da Europa.

*Professor universitário de Ciência Política

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