Opinião

Quatro memórias

Nas últimas semanas vimos desaparecer pessoas por causa da covid-19 mas, também, por outro tipo de doenças associadas, que acabaram por marcar o seu tempo à sua dimensão e participação na história.

Lembro quatro nomes, prestando homenagem a quem ajudou a escrever as memórias do nosso tempo. Com a natural exceção de um conheci todos os outros e, por isso, a minha expressão resulta de uma proximidade em amizade, cumplicidades e afetos.

Quero lembrar o antigo deputado José Puig, o presidente da Câmara de Viseu, Almeida Henriques, e o antigo ministro Jorge Coelho. O outro é o duque de Edimburgo, o Príncipe Filipe figura que nunca conheci mas marca o fim de um tempo.

Falar do José Puig é recordar um companheiro de mais de 30 anos, com quem vivi muitos momentos, mas um merece relevo. O final da tarde de 28 de setembro de 1987 e o brutal acidente de viação que sofremos. Na última conversa lembrei-lhe esse momento. Não conseguiu vencer a surpresa da doença, ele que, tantas vezes, ajudou o Paulo de Morais na luta contra a corrupção.

O outro amigo que quero aqui lembrar é o António Almeida Henriques. Também fruto de uma amizade vivida na JSD e com pontos comuns como o gosto pelo direito, a vida em Coimbra e a paixão pelo F. C. Porto. Estivemos juntos quando, no verão de 2019, trouxe uma orquestra de Viseu, constituída por jovens, a tocar ao Porto na Igreja da Misericórdia.

Falar do Jorge Coelho é salientar um amigo que antes de ser político sabia ser generoso com todos e atento ao serviço público sem confundir comportamentos e atitudes. Trazia consigo o perfume de fazer política mesmo quando sabia que não ia agradar. Primeiro o PS, mas só quando este não trazia prejuízo a Portugal. Não tivemos grande proximidade mas conseguimos o suficiente para não esquecer o seu exemplo.

Finalmente, Filipe de Edimburgo, o rochedo da Rainha Isabel II. Não o conheci nem sequer privei com ele em nenhuma circunstância. A sua atitude, em mais de 70 anos de príncipe consorte ajudou a construir a consolidação da monarquia britânica em grande parte da segunda metade do século XX e deste século XXI. Depois da sua saída de cena nada mais será igual para a Coroa.

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Recordo aqui pessoas diferentes com quem aprendi a fazer política e a assumir exemplos de serviço público e de preocupação com a sociedade e com o papel do Estado.

Regressam a casa do Pai com a certeza de que o seu trabalho não foi em vão.

Professor Universitário de Ciência Política

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