Opinião

Porta fechada e confusão no castelo

Porta fechada e confusão no castelo

A pré-época é uma seca. Os jogadores estão "mortos", não há jogos a doer e muitos são à porta fechada. Os adeptos ficam privados de ver em ação os chamados reforços e o cenário também não é bom para os patrocinadores, que perdem uma oportunidade de promover a marca.

Já bastam os treinos, que de há uns anos a esta parte passaram a ser fechados, como se o futebol fosse uma ciência oculta. Há exceções, como o Boavista fez ontem (tiro o chapéu), mas a prática é antiga e merece uma reflexão de todos, se o objetivo for promover o produto do futebol português. Entendo que nesta fase da época os treinadores queiram ter alguma tranquilidade para preparar a equipa, fomentar o espírito de grupo e os alicerces para as batalhas que se aproximam, mas seria bom encontrar um equilíbrio que agradasse aos agentes, estruturas e organizações que gravitam no mundo da bola e podem incrementar o negócio. Imagine-se agora, num cenário utópico, que todos os orgãos de comunicação social deixavam de fazer a cobertura dos jogos do campeonato. Se, desta vez, fossemos "nós" a fechar a porta? Obviamente, ninguém iria ganhar nada com isso, sobretudo os adeptos.

A solução é deixar a porta... entreaberta. Há dias, entrei no café às 19 horas e já não fui atendido. Era a hora do fecho, ok, mas faltou claramente jogo de cintura ao dono do estabelecimento. É o que acontece no futebol português.

PUB

Por isso, também não é propriamente de estranhar que a uma semana do arranque de uma competição europeia, o Vitória de Guimarães tenha abdicado do treinador, Pepa. A história não está toda contada, mas acredito que o desinvestimento no plantel tenha contribuído muito para o agudizar da tensão que já se sentia entre as partes. Mais uma vez, terá faltado jogo de cintura e o futuro dirá quem saiu mais penalizado com esta decisão. Numa primeira fase, a turbulência no castelo não augura nada de bom. Espero estar enganado.

*Editor-adjunto

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG