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Após um dos melhores clássicos que algum início de campeonato viu jogar, eis o primeiro grande indicador de que esta temporada vai ser discutida com, pelo menos, três pretendentes. Um grande jogo de "dragões" e "leões", arrebatador numa primeira parte de luxo e num jogo ganho, indiscutivelmente, pela melhor equipa em campo. Ao criar uma oportunidade de golo aos 13 segundos, o F. C. Porto deixou bem claro qual o seu posicionamento perante o jogo, uma prova de afirmação que percebeu estar ao alcance do seu processo de identificação, apesar do curto espaço de tempo que Farioli teve para trabalhar e recriar um ADN clássico. Não é coisa pouca. A equipa criou mais volume de jogo em 45 minutos do que em todos os clássicos da Liga que jogou no ano passado e, para os adeptos, suceda o que suceder, já se percebeu que o cabo das tormentas do ano passado foi ultrapassado. O F. C. Porto voltou a praticar uma modalidade desportiva chamada futebol.
A exuberância pendular de Froholdt não deixa ninguém indiferente, nem mesmo Alan Varela que parece ter dobrado a influência em campo com a sua presença. A mestria das conexões em circuito e sinapses com de Jong não faz esquecer que Samu é titular, a entrega de Rodrigo Mora parece fazer esquecer que é suplente, a assertividade de Borja Sainz e de Bednarek é evidente, a capacidade e solidez de Alberto Costa é preponderante. Mas o maior sinal, aquele que permite que a equipa vá de férias por cinco dias após tão grande trabalho em tempo recorde, é a forma como o exuberante e corajoso William Gomes trata Pepê como o titular por decreto. Este é um grupo de jogadores com uma liderança e com imensa vontade de ganhar confiança e consideração, deixando para trás uma época, sem a olhar no retrovisor.
(O autor escreve segundo a antiga ortografia)

