Opinião

Os maus querem calar Paulo Portas

Os maus querem calar Paulo Portas

A discussão sobre se Paulo Portas deve participar nos debates eleitorais é reveladora a vários títulos. Confirma, por um lado, ter servido para pouco a lei adotada pela maioria sobre a cobertura de atos eleitorais. Mostra que, depois dos cartazes e outros episódios menores, o período eleitoral continua a vegetar. E põe em destaque a mestria comunicacional da coligação no Governo: faz do líder do PP vítima da liberdade de expressão (esta, de facto, não lembrava ao Menino Jesus), lança para a arena a "pluralidade", transforma em "maus" os outros e continua a manter o Governo a salvo da artilharia do inimigo.

A verdade é que a lei (Lei 72-A/2015, de 23 de julho) é simples e a discussão absurda. Segundo o art.º 7.º, os debates são (bem) entre candidaturas e não entre partidos políticos. Cada coligação eleitoral, como também é óbvio, representa uma candidatura. Logo, se a coligação é uma candidatura, só pode ter um representante em cada um dos debates. E pronto, siga adiante, porque dizer que Paulo Portas tem de participar e até aceita que participem os Verdes (os quê?) é uma falácia. A lei serve, mas torce-se se for necessário para encaixar o que necessário for?

Sem precisar de grandes teorias, a oposição e o PS em particular devia ter respondido, em menos de um minuto, "os senhores fizeram a lei e são uma coligação, passem bem! Mas, se já esqueceram, de duas, uma: ou tomam remédios para a memória, ou mudam a lei, e encontramo-nos no Tribunal Constitucional".

Simples? Não, complicado.

Num primeiro momento, os líderes dos dois partidos da coligação (PSD e PP) distribuíram quem ia a que debates (ficando para Paulo Portas os com Catarina Martins, do Bloco, e Jerónimo de Sousa, da CDU). Mas, logo depois, cheirando o filão, disseram que se Portas não podia ir como líder do PP, então não ia ninguém da coligação ao debate final.

Amuo, birra, indisposição? Não, de todo. Encontrou-se foi o pretexto que "livrou" Passos Coelho da última contenda, aquela em que estão todos, aquela em que o "poder" está mais sujeito a snipers e imprevistos. É verdade, o PM debate com quem quer e como quer. Mas, com esta jogada não desmontada em tempo, não vai a debate, quase não terá custos políticos e até surge solidário com o seu "amigo" da coligação. É obra: cada tiro, dois ou três melros.

... dizer que Paulo Portas tem de participar e aceita que participem os Verdes é uma falácia. A lei serve, mas torce-se para encaixar o que necessário for?