Opinião

Coragem política pela não violência tauromáquica

Coragem política pela não violência tauromáquica

Durante as últimas semanas, assistimos a uma tentativa forçada de um grupo organizado de impor um evento promotor de violência que, embora ainda permaneça como legal, no nosso país, é claramente atentatório dos mais básicos valores humanitários.

Este grupo, que se denomina "Juntos pelo Mundo Rural", insulta o próprio mundo rural ao intitular-se representante do mesmo, passando a ideia de que a ruralidade se resume a touradas e caçadas. Após a Póvoa de Varzim ter tido a coragem política de acabar com as touradas, reconvertendo a praça de touros num centro multiúsos, este movimento pretendia forçar Vila do Conde a implementar a atividade tauromáquica, através de uma praça amovível, à revelia dos regulamentos. É mais do que evidente que o Governo, que tanto quer agradar a progressistas que sabem que o fim das touradas é um desígnio civilizacional, mas também quer agradar aos conservadores promotores da violência sobre touros, cavalos e pessoas, já devia ter tido, pelo menos, a coragem política de terminar com as praças amovíveis. Esta coragem vimo-la recentemente em Vila do Conde, com a mobilização cívica do Vila do Conde Animal Save e quando a Câmara indeferiu o pedido de licença de recinto, com os pareceres negativos dos serviços jurídicos, da Divisão de Trânsito e da Proteção Civil. É evidente que deveria bastar um parecer negativo da divisão de bem-estar animal ou, num outro prisma, da divisão dos direitos humanos, da proteção de crianças e jovens, face ao facto de as atividades tauromáquicas serem promotoras da violência pela violência. Obviamente que é sempre uma escolha política apoiar ou repudiar estas atividades. Lamentavelmente, ao Governo do nosso país, falta a coragem política para ficar na História como o Governo da evolução perante uma prática cruel e sangrenta que envergonha o país. Haja coragem política, porque nas tradições mexe-se, sempre e quando estão agarradas ao conservadorismo e à tacanhez, aliás, como costumamos dizer nas manifestações pelo fim da tauromaquia: abolição = evolução!

*Dirigente do PAN

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