Opinião

Incoerências nas políticas de saúde

Incoerências nas políticas de saúde

As políticas de saúde têm-se focado no combate à doença, descurando a prevenção. O Governo, que continua sem saber quanto investe em prevenção, sabe que fica muito mais oneroso ao Estado, às empresas e às famílias quando se atua na cura de doenças.

A estratégia falha por falta de planeamento e de recursos em áreas essenciais como a saúde pública, ambiental, mental, visual e nutricional. Há patologias evitáveis que decorrem de hábitos alimentares, sedentarismo, mas também de contextos de trabalho inadequados, das condições precárias e de insalubridade habitacional, da pobreza energética, da contaminação do ar, da água e dos solos.

A saúde humana está intimamente ligada à saúde animal e ambiental, pelo que as políticas públicas têm de começar a concretizar o princípio de "Uma só Saúde", uma abordagem que ganhou força, fruto das consequências visíveis e desastrosas da interação humana com o planeta. O SARS-CoV-2 é um dos exemplos do risco real e grave que corremos quando a ação humana, de forma abusiva e negligente, interfere com a vida de outros animais e ecossistemas.

Não conseguimos estimar ainda a extensão e o real impacto que esta crise sanitária nos vai trazer no futuro. Mas registamos as incongruências que pautaram a decisão política na gestão desta crise. Quando devia o Governo reforçar os profissionais de saúde pública, elementos-chave para a gestão eficaz da pandemia, estava a DGS a questionar a importância das máscaras e a falsa sensação de segurança. Quando o país devia estar focado no rastreio e na quebra de cadeias de transmissão, o Governo vacilava no controlo das fronteiras.

Este tempo de latência foi bem diferente daquele que agora o Governo assume em relação aos certificados digitais e à testagem que discrimina as pessoas, ou quando decreta que só há vírus ao fim de semana, ou quando o Ministério da Educação, de forma veloz e isolada, assumiu que todos os alunos seriam vacinados até ao início do próximo ano letivo, mesmo quando as autoridades de saúde ainda estão a analisar e o colégio de pediatria já propôs cautela.

*Líder do Grupo Parlamentar do PAN

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