Opinião

Ministro minimiza a proteção de crianças e jovens

Ministro minimiza a proteção de crianças e jovens

Esta semana dissemos adeus às touradas na Póvoa de Varzim, com a demolição da Praça de Touros, para ser construído um novo espaço cultural, sem violência tauromáquica. A reconversão destes espaços - se possível sem demolição - é o caminho que irá naturalmente acontecer, à luz dos valores societários vigentes.

Na rubrica do "sei o que fizeste o verão passado" também o presidente da Câmara Municipal de Vila do Conde manteve a firme convicção pela não violência perante uma tentativa de levar a violência das touradas a Vila do Conde.

Lamentavelmente, na esfera nacional, foi tornado público que o ministro da Cultura não considera prioritário avançar com a proteção das crianças e jovens perante a violência tauromáquica. Isto, depois do primeiro-ministro já ter assumido este compromisso. Como pode um ministro minimizar este problema, poucos meses depois de um jovem de 15 anos ter morrido numa largada de touros na Moita?

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No último relatório de avaliação de Portugal do Comité dos Direitos da Criança das Nações Unidas, há um capítulo sobre a "violência da tauromaquia" advertindo o Estado português a estabelecer "a idade mínima para participação e assistência em touradas e largadas de touros, inclusive em escolas de toureio, em 18 anos, sem exceção, e a sensibilizar a população sobre efeitos negativos nas crianças, inclusive como espectadores, da violência associada às touradas e largadas". De que é que o Governo e o presidente da República estão à espera para proteger as nossas crianças e jovens?

Já em 2014, com a revisão do Regulamento do Espetáculo Tauromáquico, o Estado reconheceu o caráter violento da tauromaquia, ao tornar obrigatória a inclusão da advertência nos cartazes de promoção de touradas que "o espetáculo pode ferir a suscetibilidade dos espectadores".

Nesse mesmo regulamento é consagrado no seu preâmbulo a "defesa do bem-estar animal" como um princípio de interesse público. Mas continua a faltar ao Governo a coerência necessária para terminar com esta barbárie e mostrar que se importa com a proteção das crianças e jovens da violência.

Dirigente do PAN

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