Opinião

Santo Tirso e as alterações climáticas

Santo Tirso e as alterações climáticas

Há dois anos, as imagens de um canil ilegal em Santo Tirso, rodeado de eucaliptal, foi tema nacional. Sabiam as autoridades que o incêndio tinha começado na sexta-feira, sabiam que no sábado à tarde havia já um conjunto de pessoas disponíveis para salvar aquelas vidas. Até lhes ser permitido derrubar o portão, muitas vidas se perderam.

Passaram-se dois anos de processo em tribunal. Testemunhas fundamentais ainda não foram ouvidas. As proprietárias dos abrigos ilegais poderão estar a acumular animais num outro local. Caso haja algum negócio com animais, poderão estar inseridas nalguma rede associada ao tráfico de animais. Apesar de amplamente conhecidos os dados referentes ao tráfico de animais selvagens (ou ao uso de animais para tráfico), a realidade dos animais considerados de companhia é bem menos exposta. Sabemos, a esse nível, que continuam a haver poucos meios de fiscalização e que a justiça ganharia, se fosse especializada por áreas, o que certamente traria celeridade aos processos.

Nestes últimos dias, temos visto outros "Santos Tirsos" a acontecer. Numa altura em que o país arde, é tema nacional um dos grandes desafios da espécie humana: as alterações climáticas. Isto, enquanto continuamos sem uma estratégia integrada para as combater. Precisamos de uma política florestal focada na valorização das espécies autóctones, muito importantes para combater a seca e prevenir os fogos, precisamos da coragem política para inverter as áreas de monoculturas como o eucalipto. Pior, estas arrogam-se como a solução para os incêndios, querendo pressionar o Governo a atribuir-lhes ainda uma maior dimensão! Isto, quando fica por cumprir a limpeza dos resíduos causados pela exploração do eucaliptal. Precisamos de políticas que permitam investir na valorização das paisagens, promover a floresta e os empregos que se geram desse investimento. Precisamos da garantia de que vamos ter floresta e não a monocultura do eucalipto, assim como os proprietários dos terrenos querem garantias de que lhes compensa fazer serviços de ecossistemas.

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*Dirigente do PAN

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