Opinião

Unidades de cuidados na maternidade

Unidades de cuidados na maternidade

Estamos numa época de regresso às ruas com os santos populares, com marchas e manifestações, que adquirem outro sabor após as restrições sanitárias que vivemos. Em paralelo, proliferam as preocupantes notícias sobre o estado dos serviços de obstetrícia, sobre fechos de serviços de urgência, como se grávidas e bebés pudessem esperar pela sua reabertura.

Sabemos bem que os problemas estruturais da saúde requerem respostas igualmente estruturais, que incentivem a fixação dos profissionais no Serviço Nacional de Saúde e que garantam as diferentes especialidades, em áreas com menor densidade populacional, também. Há tanto tempo se fala em revisão das tabelas salariais, na negociação e no diálogo. Mas nada aconteceu.

Temos feito um caminho em Portugal ao nível dos cuidados humanizados na saúde materno-infantil, se pensarmos, por exemplo, no plano de parto, no direito ao acompanhamento, no consentimento informado da grávida e na criação de uma rede de bancos de leite materno, que esperamos venha a ser uma realidade com o OE 2022. Sabemos que a obstetrícia tem desafios enormes, até por força das expectativas da sociedade do século XXI. Por isso, esta é a oportunidade de se falar numa resposta que tem ficado esquecida no nosso país: começar por um projeto-piloto para a criação de uma unidade de cuidados na maternidade como um local onde mulheres saudáveis, com gravidezes de baixo risco, com parto e pós-parto sem complicações, são cuidadas pelos profissionais especializados em fisiologia - os enfermeiros especialistas em saúde materna e obstétrica, focados em dois conceitos-chave: a salutogénese e a segurança. Num tal modelo, a mulher e o seu bebé são o centro dos cuidados em todo o ciclo gravídico-puerperal, respeitando a fisiologia e as capacidades inatas da mulher, trabalhando em parceria com ela, oferecendo informação e uma prática baseada na evidência científica, procurando ir ao encontro das suas necessidades e expectativas, promovendo e protegendo os seus direitos e referenciando para cuidados obstétricos/neonatais/outros, atempadamente e sempre que necessário. Resta fazer acontecer.

*Dirigente do PAN

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