Opinião

Usar chumbo na caça (ainda) pesa mais do que a saúde

Usar chumbo na caça (ainda) pesa mais do que a saúde

O chumbo, composto químico estranho a um sistema biológico, traz consigo toxicidade para a saúde humana, ambiental e animal.

Há pelo menos 20 anos que, através da Estratégia Nacional de Conservação da Natureza e da Biodiversidade, é referida "a pertinência de promover a utilização de materiais biodegradáveis na produção das munições de caça e a substituição do chumbo por materiais mais inócuos na composição dos projéteis". Só em 2015 foi inserida na lei uma limitação do uso de chumbo em zonas húmidas, mas sempre dependente da identificação destas zonas em portaria. Uma lei que não é fiscalizada. Recentemente, o Parlamento Europeu votou para proibir o uso de munição de chumbo nas zonas húmidas em toda a União Europeia, sobre a qual a FENCAÇA se pronunciou veementemente contra.

Nem espécies protegidas se livram deste flagelo. Foi o caso do abutre Tiroteo que foi resgatado pelo CERAS com 38 chumbos no seu corpo. Aliás, estima-se que no nosso país sejam descartadas, anualmente, 1093 toneladas de chumbo na Natureza. É de esperar que o chumbo resultante da atividade cinegética impacte a saúde dos consumidores desta carne. E os caçadores deveriam estar preocupados, a menos que não cacem para consumo, mas sim por diversão.

Está na altura de travar de vez o uso do chumbo e, por isso, há que apelar ao Ministério da Saúde para que intervenha, protegendo a saúde individual, pública e ambiental. Os ministérios do Ambiente e da Agricultura não manifestam qualquer preocupação e continuam a dar carta branca para que qualquer pessoa possa ter acesso a uma arma para caçar e continue a espalhar chumbo por todo o território, ignorando os seus impactos na saúde e nos ecossistemas. Não é de mais chumbo que precisamos na Natureza. Precisamos de mais vigilantes e de cuidar dos ecossistemas, ao invés de os destruir e dizimar. Os caçadores que tiverem o mínimo de consciência ambiental e de respeito pela saúde de todos irão começar já hoje esta mudança. Fica o repto.

*Deputada do PAN

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