Opinião

Eleições Autarqueridas sai aos domingues

Eleições Autarqueridas sai aos domingues

Ontem foi dia de reflexão. Muita gente diz que é um dia absurdo, que está ultrapassado, mas eu cá acho que é um dia muito importante, tanto para o eleitor que tem de pensar sobre que candidatos e programas os servem melhor, como para os partidos irem para um cantinho pensar em que raio de campanha foi esta que andaram a fazer este ano?

Autárquicas sem feiras ou arruadas são como um jardim sem flores. Uma pessoa tem de decidir o seu voto baseado em programas e debates eleitorais em vez de decidir, como habitualmente, pela caneta ou boné que o candidato ofereceu.

É que as eleições autárquicas são a verdadeira política de proximidade. O partido é muitas vezes secundário na altura de votar e, como foi notório nesta campanha, muitas vezes a pessoa que se apresenta também é indiferente para o partido. Para o partido representam número e para as pessoas representam uma oportunidade de poder.

Arrisco até em dizer que muitos candidatos não estão sequer a par da ideologia do partido pelo qual concorrem. Comprovei isso quando o candidato que vi a defender com mais paixão a importância da multiculturalidade, é alguém que concorre pelo partido que não olha para debaixo da cama à noite com medo de a ver.

Mais do que "vou votar neste candidato porque é do meu partido" ou "ele é muito bom porque propõe alcatroar a rua direita e organizar campeonatos de lerpa no café central", o que mais importa nestas eleições é que esse candidato é o senhor Anselmo, e o sr. Anselmo "é um verdadeiro homem da terra e já o pai dele era um bom homem que ajudou muita gente na freguesia".

É tão próximo, que os debates de junta de freguesia se assemelham a uma reunião de condomínio, em que há sempre dívidas e em que grande parte do tempo são vizinhos a queixar-se do problema lixo que cheira mal ou que há demasiados estrangeiros e airbnbs.

E são estes autarcas e vereadores que estão na linha da frente da democracia. Aliás, vou ser polémica e arriscar dizer que ser presidente de Junta deve ser mais difícil que ser presidente da República. Está dito.

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Porque uma coisa é representar Portugal, ser o comandante supremo das Forças Armadas, vetar ou promulgar leis como a da eutanásia,...outra coisa é ainda não ter cumprido a promessa de uma zona para as ossadas no cemitério e toda a gente saber onde moras ou teres cancelado a feira da maçã riscadinha e encarares os fregueses quando queres ver o jogo futebol que só passa no café com Sport TV.

São 308 municípios e 3092 freguesias que compõe o nosso Portugal e são mais de 9,3 milhões de pessoas que podem votar hoje e como não é preciso apresentar o certificado digital até os negacionistas vão poder exercer o seu direito.

Uma coisa eu tenho a certeza, todos nós vamos votar em vencedores. Prova disso é que a partir das 20 horas, em qualquer canal, vamos ver declarações de vitória de todos os partidos, porque são eleições em que todos ganham de alguma maneira, especialmente os que não têm nada a perder.

*Humorista

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