Opinião

Madraça de Direito da Universidade do Porto

Madraça de Direito da Universidade do Porto

Parece que um professor de História do Direito da Faculdade de Direito da Universidade do Porto foi acusado de se ter recusado a entregar o enunciado de um exame de recurso a uma aluna por esta estar e cito "muito destapada".

Eu já tinha ouvido relatos deste género mas foi em documentários sobre madraças no Paquistão, onde as mulheres não podem ir vestidas para a escola como querem. Alegadamente, o docente da cadeira pediu à jovem discente que vestisse um casaquinho, se quisesse fazer o teste. Se a verdade é que a escola e os professores não fazem a vez dos pais, devia-se logo começar por aqui. A seguir estão a dizer o quê? Que estamos muito magrinhos, por isso temos de comer o 7.oº prato de arroz de pato?

Os tempos estão realmente mudados. Nos dias que correm é mais difícil entrar numa sala de aula do que entrar na discoteca da moda num sábado à noite. Até o porteiro que barrou o Nelson Évora à porta do Urban Beach ou a pessoa que barrou a Patrícia Mamona no Lux foram menos descarados. Inventaram qualquer coisa do género "é uma festa privada" ou "vocês não vão gostar de estar lá dentro. É um tributo aos Scorpions". Hoje em dia, pelos vistos, estão rapazes na fila para os testes a tentar ver se arranjam miúdas para entrar com eles para não chegarem à porta e o senhor professor acabar a pedir o consumo mínimo porque o curso tem demasiados homens.

Entretanto, a Direção da Faculdade de Direito da Universidade do Porto determinou a instauração de um "processo de averiguações relativamente aos factos reportados". Ui. Para esta malta de Direito é tudo um processo e com o funcionamento da Justiça que todos conhecemos, lá para 2032 é capaz de vir um veredicto. Aqui há dois caminhos. O primeiro é, a ser verdade, responsabilizar o docente e garantir que situações de misoginia nunca mais voltam a acontecer dentro da comunidade escolar. O segundo, que me parece mais divertido, é impor o bibe na universidade. Mas bibe a sério, daqueles às cores com o nome bordado à frente. Não só é bom para concluir o curso com bom aproveitamento, porque os professores vão estar mais concentrados a ensinar, dado que podem assim desistir do part-time de polícia da moda, como também é excelente para as nódoas de traçadinho que geralmente custam a sair do poliéster. Agora vocês dizem, "Ó Cátia, que disparate! Há fardas escolares". Pois, mas não pode ser fardas porque a maioria tem saias para as meninas e, como sabemos, é impossível estar nas aulas com essa falta de material. Mais concretamente com a falta de 15 centímetros de material têxtil abaixo do joelho. São ideias que estou a lançar.

Eu não tenho a certeza, mas penso que só há duas aulas em que a vestimenta é inimiga de bons resultados: usar chinelos nas aulas de condução e fazer educação física de Paez. É verdade que já saí da escola há muito tempo, mas que me lembre a roupa só era importante nos testes por uma questão de estratégia: onde é que dá para colar as cábulas? Na bainha da saia? Nas mangas da camisola? Estou a especular porque esta menina nunca fez uma cábula na vida. Não pela ética, mas porque sou pior a mentir que um devedor do BES numa comissão de inquérito.

Mas vai-se a ver e se calhar era esse mesmo o teste de Direito e a rapariga chumbou. A resposta certa à situação era "ai o senhor professor não me deixa fazer o exame porque não gosta da minha roupa? Então vou denunciá-lo invocando o artigo 43.º da Constituição da República Portuguesa, ao qual a FDUP está sujeita e que diz que não se pode atribuir o direito de programar a educação e a cultura segundo quaisquer diretrizes filosóficas, estéticas, políticas, ideológicas ou religiosas". Pumba. 20 valores.

Humorista

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