Opinião

Um novo regime que sabe a velho

Um novo regime que sabe a velho

Se os miúdos já não gostam de ir à escola, este regresso às aulas promete ser ainda mais especial. Num despacho publicado esta semana, foram apresentadas algumas restrições alimentares para entrar em vigor a partir do próximo mês nos bares das escolas públicas.

Vou apresentar alguns itens da lista-de-não-compras, não só para ficarem a par mas também para apontarem dicas para a operação biquíni do próximo ano.

Não se vendem mais salgados ou sandes de chouriço, mortadela e presunto. Isto como é para as crianças, não me choca particularmente até porque ninguém quer estar na aula de EVT sentado ao lado do puto que arrota a enchidos. Estamos a falar do bar da escola, não de um snack-bar em Chaves.

Proibidas as refeições rápidas, designadamente hambúrgueres, cachorros-quentes, pizas e lasanhas. É excelente porque assim evitam comer o mesmo duas refeições seguidas. Agora, para comer isso vão ter de esperar pelo jantar. Sim, sim, que eu bem vejo o nível de fanatismo que há com pizas e lasanhas do LIDL nas vossas casas.

É o fim dos rebuçados, caramelos, pastilhas elásticas com açúcar, chupas ou gomas. Ou seja, os bares da escola vão mesmo começar a ter troco para dar. Acabou-se aquela brincadeira de "pode ser o troco em pastilhas?". Não, não pode dona Arlete. Não quero receber 17 euros em Gorila.

Com estas diretrizes, as vitrinas e prateleiras dos bares ficaram com meia carcaça e uma cuvete de gelo para as entorses em educação física e foi por isso que foram apresentadas alternativas no despacho.

Pão com queijo meio-gordo ou magro, requeijão, ovo, fiambre pouco gordo, atum ou outros peixes de conserva com baixo teor de sal ou pão com pasta de produtos de origem vegetal à base de leguminosas. O Ministério da Educação sugere ainda acompanhar as sandes com produtos hortícolas, tais como alface, tomate, cenoura ralada e couve-roxa ripada.

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Eu sinto que o Governo devia fazer o meu plano alimentar. Se alguém do executivo me estiver a ouvir, mande mensagem para marcar consulta, porque é deste rigor que eu preciso.

Os bares serão obrigados a ter garrafas de água, leite e iogurtes, ambos meio-gordo e magro.

Mas para não acharem que é tudo sem sabor, também haverá "tisanas e infusões de ervas" e "bebidas vegetais, em doses individuais", ambas sem adição de açúcar, assim como sumos de fruta e/ou vegetais naturais.

Sim, é isso que estão a pensar. Saudáveis, plenos, saborosos. Os bares da escola são os novos brunchs da moda. Eu até já comecei seguir o bar da C+S da Ramada no Zomato.

Isto é realmente importante porque temos uma percentagem de população obesa muito elevada, especialmente nos mais novos. O rendimento escolar não é o mesmo, a saúde a longo prazo também não, e isto poupa inclusivamente o nosso SNS.

Pessoalmente, o que me preocupa não é tanto o que as crianças comem no bar da escola, mas aquelas que dependem da refeição na cantina, porque muitas vezes é a única que fazem todo o dia.

E por isso, talvez antes dos bares, seria interessante fazer da qualidade das refeições em refeitórios escolares a prioridade. Os orçamentos para a contratação de empresas alimentares não podem ser baixos e têm de ser nutricionalmente adequados. Assim, para os vossos filhos poderem almoçar coisas como massa com douradinhos têm de inscrevê-los no privado. "Salvador, passe-me aí o arroz de salsicha. Hmmm,...este Tang está soberbo. De sobremesa, têm bolacha maria com manteiga?".

*Humorista

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