Opinião

Berlim: uma cidade que desconfina em segurança

Berlim: uma cidade que desconfina em segurança

Passei o último fim de semana em Berlim e testemunhei como uma cidade desconfina em segurança. Sempre de máscara, entrei em lojas, visitei museus e comi em restaurantes, sem grandes restrições.

As ruas fervilhavam de gente ansiosa por desconfinar. Mas os números de infetados com covid não estão a subir com tamanho desconfinamento? Não, pelo contrário.

No dia 10 de junho a incidência global de casos por 100 000 habitantes a 7 dias foi de 19 novos casos (em Brandeburgo, onde estive, apenas de 9). Duas medidas me saltaram à vista nesta estratégia de desconfinamento: testagem maciça e gratuita para todos e a app Luca.

A primeira promovida pelo Estado, que paga um teste covid por dia. A segunda introduzida nos hábitos dos alemães por uma startup que lançou a app que todos usam e substituiu a malograda e cara app de rastreio covid financiada pelo Governo que tanto prometia, mas que foi um enorme flop.

Como funciona? Para entrar numa loja ou num café todos têm de preencher um formulário onde deixam os seus contactos, de forma a permitir um eventual rastreio. Como esta é uma tarefa enfadonha rapidamente foi substituída pelo registo com a app Luca. Ao segundo formulário que fui obrigada a preencher, lá me rendi à Luca e descarreguei-a no meu telemóvel.

Assim, sempre que entrei numa loja, num restaurante ou num museu fiz o meu registo através de um código QR. Na Luca também incluí o meu teste diário e gratuito à covid. Para quê um teste diário? Porque sim ou porque precisava dele para comer no interior de um restaurante ou de um café.

E literalmente em cada esquina existe um centro de testagem covid, em bares, farmácias ou lojas encerradas pela pandemia, que passaram a fazer testes gratuitos para o cidadão. Se for positivo, é comunicado às autoridades de saúde e é obrigatório fazer um teste PCR e ir para quarentena.

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E assim o teste rápido covid entrou nos hábitos dos berlinenses que todos os dias o fazem ao virar da esquina, permitindo isolar os que estão infetados. Como as pessoas têm sempre de fazer um registo à entrada de qualquer loja ou café, fazem-no com a app Luca e armazenam aí o resultado do teste gratuito.

Os restaurantes e as lojas não perdem clientela, ao mesmo tempo que se controla a pandemia e se facilita o rastreio das pessoas, na eventualidade de alguém infetado por lá ter passado.

Parece-me óbvio que, para lá da vacinação, a massificação da testagem gratuita deveria fazer parte de uma estratégia de desconfinamento que não deixa ninguém para trás.

*Professora universitária e deputada à Asssembleia da República

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