Opinião

A atualidade do Apelo de Estocolmo

A atualidade do Apelo de Estocolmo

No Mundo conturbado e imprevisível que estamos a viver, importa não esquecer outros perigos e ameaças que persistem e ameaçam o futuro da humanidade, como as comemorações dos 70 anos do Apelo de Estocolmo vêm lembrar.

Foi em 15 de março de 1950 que o Comité Mundial dos Partidários da Paz lançou uma petição pela interdição das armas atómicas, que tinha como primeiros subscritores personalidades da cultura, da ciência e da arte, incluindo Frédéric Joliot-Curie, Neruda, Picasso, Simone Signoret, Thomas Mann, Ruy Luís Gomes, Maria Lamas e muitos outros.

Foi enorme o apoio por todo o Mundo, recolhendo milhões de assinaturas de pessoas chocadas com o horror dos bombardeamentos atómicos dos EUA sobre Hiroxima e Nagasáqui, em agosto de 1945, e preocupadas com a crescente tensão que se voltava a viver, poucos anos depois da vitória sobre o nazi-fascismo em 1945, que fizera renascer a esperança num Mundo de paz.

O Apelo de Estocolmo transformou-se num clamor mundial pela paz e o desarmamento, tendo servido de travão ao uso de armamento nuclear e inspirado tratados internacionais como a conferência realizada no âmbito da ONU, em 7 de julho de 2017, onde foi aprovada, por 122 países, a proposta de Tratado de Proibição de Armas Nucleares. A sua entrada em vigor implica a assinatura e ratificação pelos estados, o que Portugal ainda não fez, apesar do artigo 7.0ºda CRP.

Estima-se que haja cerca de 14 mil ogivas nucleares no Mundo, em nove países (EUA, Federação Russa, Reino Unido, França, China, Israel, Índia, Paquistão e República Popular Democrática da Coreia) e que outros cinco (Alemanha, Bélgica, Itália, Holanda e Turquia) alberguem armas nucleares dos EUA.

Neste momento tão difícil que a humanidade está a viver, importa também procurar convergir vontades na defesa da paz, defendendo o desarmamento, designadamente o nuclear, exigindo a assinatura e ratificação do Tratado de Proibição de Armas Nucleares, nesta mobilização de vontades na defesa da Paz.

*Presidente da DN do Conselho Português para a Paz e Cooperação

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