Opinião

A democracia do povo vigilante

A democracia do povo vigilante

A 15 de julho de 2016, o Mundo assistiu, com incredulidade e horror, à transformação de atividades clandestinas numa tentativa integral de golpe armado contra a ordem constitucional e as instituições democraticamente eleitas da República da Turquia. Foi um ataque terrorista de caráter totalmente novo. A tentativa de golpe foi lançada fora da cadeia de comando das Forças Armadas turcas, por um grupo reduzido de militares do Exército que haviam jurado lealdade à organização terrorista Fethullah Gülen (FETÖ), uma ordem de culto religioso que pretende tomar o poder para governar o Estado turco.

Esta tentativa sangrenta de golpe de Estado ceifou a vida a cerca de 250 pessoas e feriu mais de 1500 inocentes, civis, militares e forças policiais. Foi a primeira vez na história da Turquia que a Grande Assembleia Nacional, que representa a vontade soberana do povo, e a Presidência da República, entre outras instituições do Estado e do Governo, sofreram um intenso bombardeamento e que o presidente, democraticamente eleito, e outros responsáveis, foram alvo de conspiração de assassinato.

Naquela noite, a nação Turca fez história ao tomar as ruas, onde permanece vigilante deste então para defender a democracia. Foram os corajosos heróis que, juntamente com a intervenção eficaz das forças de segurança e dos média, impediram a tentativa de golpe sinistro, perpetrada por uma estrutura ilegal, a FETÖ, que tinha tentado infiltrar-se inteiramente no aparelho de Estado e nas suas Forças Armadas e de segurança, salvando assim o futuro do país e o seu sistema secular democrático das forças das trevas que procuravam destruí-lo.

Todos os partidos políticos com assento parlamentar mantiveram-se firmemente unidos contra esta tentativa de golpe de Estado e adotaram imediatamente uma declaração conjunta, condenando com toda a veemência o assalto à ordem constitucional democrática.

O desenvolvimento trágico dos acontecimentos demonstrou ainda, e de forma inequívoca, como a nação turca tem internalizado a democracia e como defende tão preciosos valores. A resistência heroica da nação turca, que provou que tudo fará para proteger e salvaguardar a nossa democracia, será para sempre uma fonte de inspiração.

No contexto das medidas destinadas a garantir a ordem pública e a segurança, o Governo, de acordo com a recomendação do Conselho de Segurança Nacional, declarou o estado de emergência na Turquia, a partir de 21 de julho de 2016 e por um período de três meses. Nos termos do artigo 120.º da Constituição o estado de emergência tem por objetivo eliminar total e rapidamente a ameaça imediata, e não afeta direitos e liberdades fundamentais nem a vida quotidiana dos cidadãos turcos ou daqueles que viajem para a Turquia. É uma medida adotada por muitos Estados perante uma ameaça iminente contra a sua segurança e a sua ordem pública.

Os valores atingidos são os nossos valores comuns. Assim sendo, agradecemos profundamente as muitas mensagens de apoio, recebidas de amigos e aliados, que se apressaram a condenar o golpe e a declarar o seu apoio.

No entanto, agora, no pós-golpe, observamos com grande consternação e profunda deceção, a abordagem de alguns que questionam os valores democráticos da Turquia. Isto é simplesmente inaceitável. Sentimos grande indignação face aos muitos artigos de opinião, editoriais e notícias, baseados em alegações infundadas, teorias da conspiração e profecias apocalípticas criando sensacionalismo e até mesmo histeria. Apelo a todos os leitores e aos jornalistas, interessados pela Turquia, para que tentem compreender bem a traição cometida e o alcance do perigo evidente e atual que a FETÖ representa para o nosso país.

Neste contexto, estamos a aguardar com urgência, por parte dos nossos aliados da NATO e da UE, maior compreensão, empatia, solidariedade, apoio e cooperação para com a Turquia e o povo turco, enquanto o mesmo permanece vigilante, dia e noite, defendendo a democracia e assegurando que jamais possa ocorrer de novo um tal cerco aos nossos preciosos valores de democracia, secularismo e de Estado de direito.

EMBAIXADORA DA TURQUIA

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