Opinião

A falta de projetos desportivos

A falta de projetos desportivos

No arranque de todas as épocas, os adeptos interrogam-se sobre os objetivos desportivos das equipas, mas em Portugal, tirando os três grandes, o Braga e o Vitória de Guimarães, os projetos estão circunscritos a uma realidade afunilada e a intenções que passam apenas por garantir a permanência. A grande maioria dos clubes, até independentemente do escalão onde estejam a competir, sejam mais ou menos profissionais, não têm uma ideia consistente em termos de quadro de contratações, na aposta da formação e naquilo que deve ser o perfil do treinador.

Olham apenas para a época em curso, porque são incapazes de ter uma visão de longo alcance para lá do imediato. Fazem-no por falta de capacidade, de meios operacionais e de liquidez financeira para garantir algo mais sólido ou então porque têm uma base social muito pequena e de horizontes limitados. Há, de facto, uma ditadura onde as preferências se resumem aos três grandes e isso asfixia o crescimento da classe média. Depois, porque também há gente que olha para o futebol como uma forma de ter protagonismo e pensa que pode levar qualquer clube a ganhar dinheiro fácil. É dentro dessa lógica que muitas empresas tomaram de assalto o futebol português e as sociedades anónimas desportivas passaram a dominar a praça. E muitas delas, como se sabe, com resultados catastróficos.

Por isso, o sucesso de muitos clubes de média dimensão está mais pendente da competência dos treinadores do que da capacidade dos diretores desportivos em descobrir talento onde ele possa não existir. Em muitos casos, são os treinadores que escolhem os jogadores e depois criam uma corrente positiva no balneário à custa da capacidade tática, da forma de jogar e da dinâmica das vitórias. No nosso país, para o bem e para o mal, o sucesso de uma equipa depende muito mais do treinador do que das estruturas dos clubes.

*Editor

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