Opinião

A informação e a educação

A informação e a educação

A evolução das sociedades, nomeadamente desde a Revolução Industrial, tem conduzido a um aumento exponencial da informação, com estimativas indicando que a quantidade de informação produzida num só ano ultrapassa a gerada nos últimos 5000 anos e que 90% de todos os dados armazenados no Mundo foram criados no último par de anos.

Vivemos na era da informação, em que a capacidade de compreender e analisar os dados que estão à nossa disposição é absolutamente crucial para que as decisões que tomamos sejam informadas, conscientes e fundamentadas.

Esta constatação tem um profundo impacto na nossa vida em sociedade, destacando-se a (in)capacidade generalizada dos cidadãos para identificar e refutar notícias falsas, nomeadamente através do confronto com fontes de informação credíveis. A proliferação de notícias falsas, a facilidade com que hoje se acede à informação, em conjunto com os algoritmos que tendem a reduzir o leque de informação disponibilizada aos utilizadores, dificultam sobremaneira o confronto de diferentes fontes e concomitante confronto de ideias.

Também, por este motivo, assume a educação um papel cada vez mais crucial para o futuro da democracia e das sociedades, permitindo aumentar os níveis de literacia e a capacidade de absorver e processar informação.

Temos assistido, recentemente, a um incremento da noção de que estudar não vale a pena; no entanto, todos os indicadores apontam em sentido contrário. Em Portugal, um titular de um curso superior tem rendimentos 69% superiores, em média, ao de um não diplomado. O desemprego jovem de um titular de um curso superior é de menos de metade de um não diplomado. Por outro lado, os empregos com maior procura hoje praticamente não existiam há 10 anos e implicam novas competências.

Se queremos assegurar que as próximas gerações mantenham um nível de conforto igual ou superior ao de hoje e vivam numa sociedade pacífica e democrática, temos de garantir o acesso generalizado à educação incentivando a frequência do Ensino Superior.

Presidente do Politécnico do Porto