Opinião

A inversão

Passámos em dois meses de sermos um dos países com maior incidência de casos de covid a nível mundial para um dos com menor incidência na Europa. Será possível mantermo-nos assim?

A razão para a queda acentuada de casos a que temos assistido é a grande diminuição de contactos, consequência das medidas restritivas. A incidência a 14 dias por 100 mil habitantes nacional continua a descer e a aproximar-se da fasquia dos 60. Iniciou-se o processo de reabertura no dia 15 de março e até agora não há sinal de que isso tenha causado um aumento significativo no número de novos casos. Desde que não haja uma surpresa nos próximos dias, estaremos em condições de avançar para o passo seguinte, após a Páscoa.

Em simultâneo assiste-se na Europa a uma subida generalizada de casos associada à presença dominante da variante do Reino Unido, que obriga à imposição de novos fechos. Tudo indica que haja variantes em circulação, nomeadamente a sul-africana, para as quais as vacinas existentes não sejam tão eficazes. Neste contexto, a incidência elevada constitui um fator de risco acrescido apesar da crescente proporção de vacinados, ainda num nível insuficiente para, por si só, travar a transmissão. O que nos distingue de outros países europeus atualmente é termos aplicado recentemente um travão a fundo, receita que nem todos estarão dispostos a repetir.

Voltando à questão inicial desta crónica, sim, é possível mantermo-nos com baixa incidência, mas esse é um objetivo exigente. Comportamento da população, monitorização atenta e rapidez de atuação são os ingredientes essenciais. Não temos de voltar a ficar pior do que os outros, essa inversão não é inevitável.

*Professor de Matemática da FCUP

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