Opinião

A Liga de Papel

Os factos vergonhosos da última semana ilustram bem as debilidades e perversidades do futebol português, expondo algumas das razões pelas quais este espetáculo tem cada vez menos interesse, menos valor, menos competitividade e menos adeptos.

Carlos Carvalhal tem mantido (e bem) um longo blackout sobre as arbitragens e as estruturas dirigentes da Liga Portuguesa de Futebol e da Federação Portuguesa de Futebol. Mas o Braga tem que falar, não podendo continuar a compactuar com uma Liga que não falha no seu papel de favorecer três clubes num total desrespeito por todos os demais.

O árbitro Fábio Melo condicionou irreversivelmente o jogo entre Braga e Famalicão com a expulsão de Bruno Rodrigues. É uma decisão manifestamente exagerada que estragou o espetáculo e prejudicou um Braga que estava a controlar o jogo de forma inequívoca. Ironicamente (ou talvez não) esta decisão acontece numa jornada em que Santa Clara, Paços de Ferreira e Estoril tiveram muitas razões de queixa das arbitragens perante os três clubes mais poderosos.

Por que razão Fábio Melo não consultou o VAR? Por que razão não são expulsos jogadores dos outros três clubes em jogadas idênticas? Por que razão os árbitros só podem desculpa por erros grosseiros quando os prejudicados são os três principais beneficiários do sistema? Por que razão erram tanto contra os mesmos?

Podia ter sido um belo jogo de futebol, com uma superioridade tranquila do Braga e o regresso de Ricardo Horta aos golos. O árbitro não permitiu que assim fosse. Pelos vistos, esta Liga de Papel gosta assim.

Positivo: A jogar em inferioridade durante 66 minutos, o Braga segurou um empate amargo. Que a revolta desta injustiça se converta em força para a próxima partida.

Negativo: A Federação Portuguesa de Futebol arranjou um expediente para forçar o Leça a jogar fora de casa na Taça de Portugal. É mais uma decisão vergonhosa que favorece os beneficiários do costume e estraga a Festa da Taça.

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*Adepto do Braga

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