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Abolição de portagens na A41

Abolição de portagens na A41

A rede viária na Área Metropolitana do Porto é um "sistema de gestão irracional", que taxa as vias circulares, como a CREP/A41, e isenta as radiais, como a VCI. Ou seja, convida os automobilistas a evitar as primeiras - logo aquelas que deveriam servir como alternativa - e a utilizar as segundas. A avaliação não é política. É técnica e é feita pelo professor Álvaro Costa, da FEUP, num excelente trabalho jornalístico publicado há algumas semanas no "Jornal de Notícias".

Se, a esta apreciação, juntarmos as conclusões do estudo que aponta o Porto como a cidade portuguesa com o pior desempenho em matéria de trânsito automóvel, percebemos a urgência em repensar a estratégia metropolitana de transporte de mercadorias e passageiros. A começar, precisamente, na CREP/A41: é a única via rápida que permite cruzar o Douro, evitando a passagem obrigatória pelas pontes da Arrábida e do Freixo e a consequente sobrecarga das duas travessias.

A verdade é que a "gestão irracional" continua a impedir a CREP de cumprir os objetivos para os quais foi concebida. A sua utilização é demasiado onerosa para o benefício que representa, tanto para os particulares, como para as empresas, já fortemente penalizadas em termos de carga fiscal e custos de contexto. A título de exemplo, uma viagem de Espinho ao Aeroporto Francisco Sá Carneiro representa uma despesa de 4,65 euros de portagem - classe 1 - quando os percursos alternativos apresentam valores relativos quase simbólicos: 60 cêntimos na A1 e 55 cêntimos na A29. E estes custos são exponenciados sempre que estiverem em causa trajetos regulares ou realizados por veículos pesados. Mesmo que a opção pela CREP represente algum ganho no tempo de duração da viagem, o preço será sempre um fator preponderante na escolha de particulares e empresas.

Esta matéria tem sido objeto de discussão no Conselho Metropolitano do Porto e há várias soluções em cima da mesa. Algumas mais consensuais que outras, mas todas convergentes no sentido de desviar o maior tráfego automóvel possível da VCI para a CREP. Nesse sentido, não vejo outra opção que não a de suspender o pagamento de portagens naquela autoestrada, de forma temporária ou definitiva, permitindo um descongestionamento substancial das vias próximas à cidade do Porto e a consolidação de novos hábitos nos potenciais utilizadores. Essa tem sido, de resto, a tese defendida por várias entidades e especialistas, tendo merecido uma posição consensual na última sessão da Assembleia Municipal de Espinho. Posição, essa, que seria importante ver replicada nas restantes autarquias da AMP.

É quase desnecessário invocar as mais-valias que um melhor aproveitamento da CREP/A41 representaria numa perspectiva metropolitana. A sua ligação às principais vias de comunicação da Região Norte e a polos de concentração industrial garantiria inegáveis ganhos de eficácia, por exemplo, ao nível do transporte de mercadorias. Por outro lado, traria novas oportunidades de desenvolvimento para os concelhos abrangidos.

Neste quadro mais alargado, é importante olhar também para o transporte de passageiros e para os desafios que a mobilidade inteligente nos vai trazer no futuro próximo. Vamos viver, cada vez menos, numa lógica de transporte individual, para adotar, cada vez mais, os mecanismos de partilha e o transporte público intermodal. Seria, por isso, muito importante que os sucessivos apelos à renovação da Linha do Vouga - que serve toda a área Sul da AMP - fossem atendidos pelo Governo central e pela Infraestruturas de Portugal. Falamos da única possibilidade que as populações da Feira, São João da Madeira, Oliveira de Azeméis, Arouca e Vale de Cambra têm de vir a beneficiar de uma ligação ao principal eixo ferroviário do país e serem integrados na rede intermodal de transportes do Grande Porto.

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* PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE ESPINHO

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