Opinião

Ano novo, vida nova?

O atual ano escolar foi preparado com o habitual empenho das escolas, que trabalharam no limite das suas capacidades, sobretudo as direções executivas, para corresponder com profissionalismo elevado ao contínuo de exigências dos meses estivais, onde se contam as inúmeras solicitações da tutela, sendo decisivo para a saída da lista de colocação de professores a 16 (!) de agosto, quebrando a tradição malquista que a adiava para o final do mês.

E se o novo ano teve arranque positivo, dois factos poderão pontuar pela negativa:

1. Luta sindical - a exemplo do ano anterior, a nuvem negra volta a assombrar o ano letivo: atendendo às declarações públicas proferidas pelos sindicatos, a Manifestação Nacional de Professores, marcada para 5 de outubro (véspera das eleições legislativas), será a primeira ação sindical entre outras iniciativas (greves, encontros, plenários) que percorrerão 19/20, enquanto não existir entendimento relativamente aos 6 anos, 6 meses e 23 dias de tempo de serviço não contabilizado pelo Governo aos professores;

2. Eleições legislativas - avessos a consensos, os partidos políticos perderam uma oportunidade crucial para fazer melhor pela Educação; não despenderam esforços para garantir que matérias educativas importantes perdurem mais do que os quatro anos de uma legislatura; corre-se o risco, com as eleições à porta, de novo Governo fazer ruir o que o atual Ministério da Educação implementou e de ter de se fazer (quase) tudo de novo, um déjà-vu fastidioso, que ameaça a estabilidade que as escolas necessitam.

A gozar de boa saúde, a escola pública pode ver a sua excelente qualidade incrementada se os partidos se deixarem de tricas políticas. Assim impere o bom senso!

*Professor/diretor