Opinião

Ano novo, vida responsável

Ano novo, vida responsável

A bipolaridade de sentimentos vivenciada neste novo arranque de ano letivo é amplamente justificada e compreensível.

Por um lado, este regresso muito ansiado, pois seis meses de interrupção da educação escolar foram demasiado longos para os nossos alunos, repletos de saudades de um espaço nobre, local de aprendizagem, de proteção social, de saúde, de apoio emocional e da tão necessária socialização. Por outro lado, perspetiva-se um retorno temido dada a imprevisibilidade da evolução dos números da pandemia. Estes estão totalmente dependentes da adoção de comportamentos saudáveis ou de atitudes de risco que a sociedade civil adotar.

As escolas planearam devidamente a reabertura das suas instalações, operacionalizando as orientações provenientes do Ministério da Educação e da Direção-Geral da Saúde com todo o empenho e rigor, tendo como foco a segurança máxima dos elementos das comunidades educativas.

A atribuição de uma sala de aula a cada turma, a existência de lugares fixos por discente, a higienização frequente das mãos, o uso obrigatório da máscara, o desfasamento de horários, entre outras regras e procedimentos, são alguns exemplos de alterações da (re)organização de um espaço do qual temos muitas saudades. Contribuirão para diminuir o impacto negativo da impossibilidade de manter a distância de, pelo menos, um metro entre as mesas de muitas salas de aula. Mesmo assim, e "sempre que possível", as escolas cumprirão este distanciamento de segurança, observando sempre as diretrizes superiores.

Como destacou recentemente Marcelo Rebelo de Sousa, é necessário mostrar "humildade para corrigir o que correr menos bem no novo ano letivo". Nos tempos que vivemos, é inviável implementar uma gestão a médio ou longo prazo, antes navegar à vista. Os diretores e as suas equipas, com elevado espírito de resiliência, desacreditando na falácia do "risco zero", mas crendo na consciência cívica dos seus jovens, tudo fizeram para concretizar um arranque positivo e um decurso o mais regular possível, apesar da existência dos planos de ensino misto e não presencial, que elaboraram.

Muito gostaria de verificar na sociedade os mesmos procedimentos e exigências que as escolas irão exigir aos alunos, professores e pessoal não docente, contribuindo para acentuar a elevada segurança destes espaços. Estaremos na linha da frente, com responsabilidade.

Os estabelecimentos de ensino seguiram as orientações para potenciar a excelente qualidade reconhecida à escola pública. Urge o contributo de todos para um bem comum.

*Professor/diretor

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