Opinião

As eleições e o Ensino Superior

As eleições e o Ensino Superior

O período que antecede as eleições legislativas é aquele em que os diferentes partidos apresentam o programa que pretendem colocar em prática na legislatura seguinte, sendo esse o momento de analisar e debater os diferentes programas.

Quem tem responsabilidades na gestão de uma instituição de Ensino Superior não pode deixar de refletir sobre as dificuldades de financiamento das instituições que, ao longo dos últimos 15 anos, não têm deixado de se agravar.

Nestes momentos de renovação de prioridades para os próximos quatro anos, importa discutir qual o papel que o país pretende para o Ensino Superior e as condições que pode proporcionar às instituições para desempenharem esse papel.

O Ensino Superior é fundamental para o desenvolvimento económico da sociedade, suportando o conhecimento, produzindo inovação e criando valor. Para um país como Portugal, que não se pode diferenciar pela dimensão ou pelos recursos naturais, o conhecimento assume ainda mais importância. Tal é claro na tipologia de investimentos externos que têm tido lugar nos últimos anos, em que a qualidade da formação superior tem sido identificada como um dos principais fatores que justificam que esses investimentos tenham lugar no nosso país.

Para que as instituições possam continuar a desempenhar a sua missão, com a qualidade que a tem caracterizado, é imprescindível um reforço do financiamento que lhes permita dar resposta às necessidades de manutenção das instalações, reequipamento laboratorial e da adequada remuneração dos recursos humanos. Refira-se que o esforço de qualificação do corpo docente nos últimos 10 anos teve, como natural consequência, um acréscimo das despesas com remunerações que colocaram pressão na tesouraria das instituições.

Este é o momento em que, com as escolhas que fazemos, podemos influenciar o rumo do Ensino Superior nos próximos quatro anos e, com isso, o futuro do país. Temos, no entanto, de ter a consciência que, sem um reforço do financiamento, dificilmente será possível acompanhar a evolução do conhecimento, sendo, inclusivamente, previsível algumas dificuldades em manter o nível de qualidade e de qualificação que tanto valor acrescido tem trazido ao país.

*Presidente do Politécnico do Porto