Opinião

Avante Liberais!

O Eng.º Rui Sá dedicou o seu artigo semanal no JN ao Arraial Liberal em Lisboa. No seu estilo habitualmente prosaico, incorreu numa série de inverdades que importa clarificar.

É uma imprecisão grosseira dizer que houve um incumprimento total das regras em vigor. O evento decorreu ao ar livre num recinto com lotação limitada, com registo de temperatura e de contactos pessoais à entrada, com anúncio das regras antecipadamente e via flyer, com lotação e espaçamento adequados na zona de alimentação, uso de máscara generalizado, disponibilidade ampla de dispensadores de álcool-gel e máscaras descartáveis para quem as quisesse obter/trocar.

Recordo o Sr. Eng.º que a PSP fez um balanço positivo e sem incidentes da noite, tendo inclusive a IL recebido feedback de que cumpriu escrupulosamente com o acordado com as autoridades que acompanharam o evento. Pelas 23h a circulação estava estabelecida. Antes das 0h00 todas as estruturas excetuando o palco desmontadas e as contas feitas com os comerciantes - demonstrando a possibilidade que é possível realizar eventos em segurança se os planearmos e não apenas teimarmos em os proibir. É verdade que recebemos um parecer negativo do Delegado de Saúde, mas será que a sua emissão a menos de 24h do evento constitui uma recomendação técnica ou um cancelamento político de quem não está minimamente interessado na segurança dos cidadãos?

Muito nos lisonjeia a comparação direta da primeira edição dum evento liberal desta espécie com a grande festa anual de longa data do PCP, a Festa do Avante, que curiosamente coincide com a primeira sondagem em que a Iniciativa Liberal ultrapassa a CDU. Importa, no entanto, informar o autarca da CDU que um evento com dezenas de milhares de pessoas, à porta do inverno, com um total de zero vacinados não é o mesmo que um arraial com cerca de mil, onde 40% da população (em especial a de mais idade) já recebeu a primeira dose. Os epidemiologistas consideram o risco neste momento completamente diferente daquele que se vivia em setembro de 2020.

Há ainda mais a separar o arraial de 12 de junho da festa dos comunistas. O Avante tem bilhete pago, o arraial foi concebido com entrada livre para que todos pudessem usufruir da cidade e dos seus Santos Populares, num ambiente provavelmente mais controlado do que seria em casa de cada um. Mais, a IL deu oportunidade aos restaurantes locais de participar, pagou os impostos devidos e teve um prejuízo económico com o evento. O PCP utiliza a festa do avante para angariação de receitas, utilizando os benefícios fiscais dos partidos - os mesmos que a Iniciativa Liberal já propôs que acabassem.

Ainda que possa ter sido essa a perceção, a IL não criticou o PCP por usar o privilégio partidário para organizar o seu evento (vejam a intervenção de Cotrim Figueiredo sobre essa matéria no plenário), mas sim a DGS pela dualidade de critérios, aplicando uns a partidos e outros a particulares. Aliás, estão a IL e PCP alinhados na defesa dos direitos dos cidadãos tendo votado consistentemente contra o Estado de Emergência. Só fiquei curioso em saber a opinião do Eng.º Rui Sá sobre o discurso no arraial de Pavel Eliazarov, um dos manifestantes cujos dados foram partilhados indevidamente pela CML.

Termina o Eng.º Rui Sá o seu artigo endereçando os joguinhos de tiro ao alvo numa das barraquinhas. Aceitando a categorização de "brincadeira de mau gosto", não aceitarei nunca que um partido que celebra abertamente o nascimento de ditadores e simpatiza com regimes torcionários use tal argumento para colocar a seriedade dos liberais em causa. Se a seriedade fosse importante para o PCP, teria aproveitado este período recente de proximidade ao poder e rédea larga dos seus satélites sindicais para pugnar por quem jura defender - a classe trabalhadora, que, ao invés disso, se vê encharcada em carga fiscal e com os seus rendimentos estagnados.

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*Coordenador Iniciativa Liberal - Porto

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