Opinião

Celebrar o rio Leça!

O reencontro dos territórios urbanos com o património ambiental é fundamental para o novo modelo de desenvolvimento que ambicionamos.

Devolver às comunidades espaços tão importantes como o rio Leça é um gigantesco desafio. Ao longo de décadas, o país abandonou muitos dos seus rios e ribeiras às consequências de um modelo de desenvolvimento que hoje, felizmente, consideramos intolerável.

Os rios que atravessam os nossos territórios foram, algumas vezes, escondidos, outras vezes transformaram-se em feridas abertas de poluição. O rio Leça, ao longo dos seus 45 quilómetros de extensão, atravessa os concelhos de Santo Tirso, Valongo, Maia e Matosinhos, que se uniram em sua defesa.

O projeto do corredor verde do Leça é um dos momentos em que as promessas se concretizam em realidade. Com muito trabalho, com muito conhecimento científico e ambiental, com muito investimento, mas, sobretudo, com muito envolvimento da comunidade. São muitas as expectativas das pessoas em relação a este novo rio Leça, um rio que já sentem que voltou a pertencer-lhes e do qual se assumem protetores e vigilantes atentos!

A dimensão ambiental do projeto já em execução em Matosinhos é evidente. Mas há uma enorme dimensão social neste projeto que não pode ser secundarizada.

O impacto na qualidade de vida das populações próximas do rio associa-se ao potencial de valorização económica deste recurso pela criação de novos empregos relacionados com atividades de lazer, turísticas ou, até, de agricultura urbana. Em Matosinhos, o Leça oferecerá novos percursos de 7 km de ciclovias e caminhos pedonais entre diversos pontos do território, permitindo novas articulações com a rede de transportes públicos e facilitando as deslocações dentro do concelho e as ligações aos concelhos vizinhos.

Os sucessivos confinamentos vieram contribuir para a valorização dos espaços verdes de utilização segura e saudável. Os 18 km do Leça, que atravessa Matosinhos até desaguar no Atlântico, são um espaço imenso que irá contribuir para a preservação da biodiversidade, com a plantação de centenas de árvores autóctones, como sobreiros, amieiros e carvalhos, numa mancha arborizada que acolherá muitas aves que já nos esquecemos de ver nas cidades.

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O rio Leça voltará a ser um elemento vivo para as comunidades que o envolvem, um exemplo de harmonia entre a Natureza e o desenvolvimento urbano. Fará parte das nossas vidas, será espaço de brincadeira das crianças e permitirá momentos de alegria que preencherão as nossas memórias individuais e coletivas.

*Presidente da Câmara de Matosinhos

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