Ponto de vista

Chega? Olhe que não!

"Na história estão todos os segredos da arte de governar."

Winston Churchill

Em 24 de agosto de 1820, teve lugar, no Porto, o início de uma revolução. Nesse dia, começava a ser destruído o "antigo regime" do poder absoluto do monarca do despotismo iluminado.

A partir daí, vamos ter duas constantes na nossa história: partidos e colónias.

Os partidos vão animar a rotatividade na monarquia constitucional, onde a regeneração vai marcar a diferença, com a modernização das infraestruturas mas não apostando na educação. Trazer a confusão da Primeira República. Abolir a tradição partidária no Estado Novo. Desenvolver na democracia o multipartidarismo parlamentário.

O império, no século XIX, viu partir o Brasil e desenhar, em Berlim, o mapa cor-de-rosa. No início do século XX, justificou a nossa presença na I Guerra Mundial e uniu os republicanos na defesa das colónias. Após a II Guerra Mundial, entrou em negação com o fim do Estado Português da Índia, o qual atirou, depois, durante treze anos, o país para uma guerra inútil.

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Na madrugada inteira e limpa, de que falava Sophia, parecia que o império seria uma questão de tempo. Logo, em 1975, com a parte africana e, mais tarde, com Timor e Macau.

O traço que o 24 de Agosto deixou na nossa história continuou sempre como um fantasma no imaginário de cada um de nós.

Primeiro, na forma de guerra civil, em 1832-1834, depois nas várias tentativas de golpe de Estado, com sucesso ou sem ele, principalmente entre 1910 e 1974.

Nos últimos tempos, alguns tentam introduzir, na sociedade portuguesa, a ideia de que existe racismo de forma sistemática e assumida, através de um conjunto de organizações que não representam ninguém.

Esta ideia de uma sociedade racista ou fascista está expressamente proibida, desde 1976, na Constituição.

Deixemos, pois, funcionar o Estado de direito. Afirmar a separação de poderes. A legislação existente é suficiente para tratar como crime o que é e deve ser crime. Quanto à política, as eleições costumam ser um bom barómetro para resolver esses problemas.

Quanto mais se chama o fantasma, mais parece que querem acordar o mesmo. Em 1975, foi assim. Aí, tínhamos Soares, Sá Carneiro e Eanes. Hoje, temos os netos dos que perderam Novembro a querer acordar Maio para se procurar Abril?

Duzentos anos depois, a mensagem continua a ser muito simples: compreender que vivemos o nosso primeiro século em "amplas liberdades" e esse é um valor inalienável que nenhum medo pode comprar.

*Professor Universitário de Ciência Política

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