Opinião

Contrastes

Uma coisa é o desespero e a raiva das pessoas que têm visto desaparecer os seus empregos, cair os seus negócios, fugir a sua clientela. Outra, muito diferente, é a contestação, em nome da Constituição e da defesa da democracia (ou melhor, das preferências e comodidades pessoais), das limitações à liberdade de circulação e aos horários comerciais, resultantes da aplicação do estado de emergência.

Uma coisa é propor e defender soluções limitativas do contágio, em detrimento de algumas, decididas por quem de direito, mais penalizantes para os cidadãos. Outra, bastante diversa, é declarar, perentoriamente, a "inutilidade" e até o caráter "contraproducente", além de ruinoso para a economia, das regras impostas pelas autoridades, sem que se avance uma palavra em matéria de alternativas.

Uma coisa é sugerir e até inventar formas flexíveis de organizar recursos pouco elásticos - como são, em grande parte, os do Serviço Nacional de Saúde. Outra é alimentar, incessantemente, sem um gesto de auxílio nem uma ideia de solução, a impressão de um estado caótico que a realidade de todos os dias ainda não confirmou.

Não repugna - é apenas natural - que as pessoas opinem sobre o combate à pandemia em função dos seus interesses imediatos. Já é menos aceitável que, no contexto atual, se ponha à frente de tudo as conveniências de uma agenda política. Neste momento, só são interessantes, e, portanto, relevantes, as ações políticas que transportem consigo uma hipótese de melhoria do que está a acontecer.

*Professor universitário

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