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Opinião

Depois do desastre

Referiu-se aqui o "feitiço" do Natal; parece agora mais apropriado falar de "maldição".

Ninguém hoje nega que o disparo enorme dos contágios que atualmente nos assusta e põe em causa todo o sistema se deve à onda das compras e às reuniões de família e amigos. Fez-se a opção entre duas maneiras de morrer: ou numa cama de hospital ou numa letal consoada a dois.

A sensibilidade social da quadra levou as autoridades a fazer uma aposta na sensatez das pessoas, que foi escandalosamente perdida. Fez-se batota com a covid, mas o vírus não brinca.

Mantidas as regras, a soma das festas de fim de ano ao Natal teria resultado numa irremediável e impensável catástrofe nacional. O português médio continua a exigir um modo de vida muito próximo da velha normalidade, só desperta para o problema quando está deitado de borco numa cama com quatro enfermeiros à volta. Procura-se agora o nível adequado de confinamento para o futuro imediato.

E mais uma vez se tende a ignorar o papel das escolas em toda a situação. Não que as escolas sejam lugares inseguros, mas o seu funcionamento presencial gera uma imensa movimentação de saídas e entradas, de levar e trazer, que foi - a não ser que alguém prove o contrário - responsável pelo primeiro sobressalto dos números, verificado a partir da segunda metade de setembro, não só em Portugal, mas em toda a Europa.

Pelo menos no Ensino Superior e nos últimos anos do Secundário, a passagem ao ensino online é uma medida razoável e adequada à travagem do alastramento da infeção.

*Professor universitário

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