Opinião

Dezenas de árvores ceifadas na Via Norte

Dezenas de árvores ceifadas na Via Norte

A minha indignação é maior do que o "bárbaro" abate das árvores que a empresa pública Infraestruturas de Portugal - IP levou a cabo na Via Norte à entrada da cidade da Maia.

Num relâmpago, a IP devastou de ambos os lados daquela via dezenas e dezenas de árvores que ali foram plantadas em 1962 pela Junta Autónoma das Estradas - JAE, uma entidade pública que atuava de forma bem diferente da IP e com mais respeito pela natureza, pelo ambiente e pelas pessoas.

Admito que uma ou outra árvore, por razões devidamente justificadas, tivesse que ser removida para acautelar a segurança das pessoas que circulam naquele troço da Via Norte, mas o que a IP fez, ceifando indiscriminadamente todas as árvores, é irracional e absolutamente inqualificável. Partilho com os leitores uma conversa que tive uma vez com o arquiteto Souto de Moura, que me dizia: "quando entro na Maia pela Via Norte, o verde destas árvores e destes taludes dá-me sempre a agradável sensação que se respira um ar diferente e uma harmonia ambiental e urbanística que já vai rareando".

A decisão absurda de arrasar aquela área tão bonita e tão importante para atenuar os impactos ambientais da circulação automóvel só podia ter sido tomada nos gabinetes em Lisboa, ignorando as pessoas que cá vivem, ignorando os seus legítimos representantes no poder local e, estou firmemente convicto, ignorando também o próprio ministro do Ambiente, que, ao que julgo saber, nunca aprovaria semelhante desnorte.

O mal está feito e agora só nos resta esperar que a IP plante rapidamente novas árvores naquele local, para que daqui a 60 anos os nossos netos e bisnetos possam usufruir desse bem público.

Estou indignado e cada vez mais convencido das virtudes da regionalização.

*Presidente da Câmara da Maia