Opinião

É a vida!

Quando confrontado esta semana com a insatisfação do futebol profissional em relação à falta de respostas e ausência de apoios a que tem sido sujeito por parte da tutela, o secretário de Estado do Desporto retorquiu com um sintomático: "É a vida!".

Mais que a substância (?) é o tom resignado da resposta que quase provoca alguma incredulidade, quando levamos em conta que estamos a falar de legítimas reivindicações de um setor que sente a sua sustentabilidade colocada em causa. Porém, e fazendo alguma justiça ao Governo, se recordarmos os sucessivos episódios relacionados com a presença de público nos estádios, pouca coisa será hoje capaz de nos provocar qualquer espasmo de admiração.

Refletindo apenas sobre os casos mais recentes e seja qual for a tentativa de argumentação será sempre inexplicável e incompreensível como em menos de uma semana de distância sejamos capazes de privar os adeptos portugueses de assistir à final da Taça de Portugal, mas anuir à entrada num estádio a mais de 16 mil fãs internacionais.

Desengane-se, porém, quem possa pensar que a falta de equidade e dualidade de critérios que tem pautado, ao longo de toda a última época, a conduta das autoridades competentes é um exclusivo destinado ao futebol. O caricato sobe degraus quando no exato mesmo dia em que milhões assistirão a um Estádio do Dragão com 33% de ocupação, é proibida a presença de 500 pessoas no Estádio Nacional para assistir à final do campeonato nacional de rugby. Antecipando qual terá sido a justificação apresentada à Federação para esta recusa, e excluindo à partida que não foi o facto de o perfil desses adeptos antever distúrbios em bares e esplanadas da cidade nos dias anteriores ao jogo, é muito provável que avaliados todos os fatores científicos, económicos e de ordem pública, o parecer final consolidado tenha sido um "É a vida!".

Em cima

O sinal de unidade dado pelos 18 clubes da Liga. Quanto mais unido for o setor mais força terão as suas reivindicações.

Em baixo

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Esquecimento e silêncio absoluto, por parte das entidades governamentais, do apoio direto e indireto ao setor da indústria do futebol!

Diretor-executivo da Liga Portugal

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