Opinião

É preciso ensinar para o futuro

É preciso ensinar para o futuro

Em 1886, nos EUA, os trabalhadores manifestaram-se pela redução do horário de trabalho para 8 horas/dia. Hoje vivemos tempos distintos. A título de exemplo, há 10 anos o gestor de redes sociais e os analistas de big data não existiam.

Estima o Fórum Económico Mundial que 66% das crianças de hoje terão empregos que ainda não existem.

Assim, há o desafio da formação em contexto escolar, desde o Ensino Básico ao Ensino Superior. Como se adaptam as instituições neste contexto de desenvolvimento acelerado? E quais são as características que serão valorizadas no futuro? Está o ensino tradicional preparado para enfrentar estes desafios - aposta em novas skills?

Com a crescente digitalização, os humanos estão a ser substituídos em milhões de empregos. Este é o fim do trabalho tradicional tal como o conhecemos?! Sim, mas não é o fim do Mundo. A digitalização traz oportunidades - há um fim anunciado de tarefas mais repetitivas e de menor valor acrescentado que devem ser acompanhadas de uma transição para novas funções, promovendo uma rápida adaptação aos novos contextos - não se pode esperar que milagrosamente um operador de linha de fábrica se torne num programador de aplicações informáticas, por exemplo. É necessário reconverter perfis, aumentando os níveis de formação e é necessário reconverter hábitos, experimentando métodos de trabalho inovadores. Ao invés de parar o imparável, devemos pensar em como colocar esta nova realidade ao serviço dos nossos valores e bem-estar.

Os governos, incluindo o português, estão mais atentos ao fenómeno da digitalização. Até já temos ministro para a Transição Digital. O que deve ser compreendido pelos decisores é que esta revolução digital deve ser moldada para que as pessoas beneficiem desta "transição" e os perigos sejam mitigados.

Por isto, a digitalização aliada aos novos tipos de emprego originará desafios que têm de ser resolvidos socialmente, também atendendo aos direitos das pessoas. Isto estimula os trabalhadores, e não só. Liberta-lhes tempo para aproveitar, pensar e, consequentemente, inovar. Já em 2016, também o Forúm Económico Mundial sinalizava o pensamento crítico e a criatividade seriam, em 2020, duas das três características mais valorizadas num profissional.

Esta transformação na forma como se ensina e na forma como se trabalha exigem medidas que acompanhem a necessidade. Temas como a redução da carga horária estão a ser testados, como é o caso da Microsoft que anunciou ter aumentado os índices de produtividade em 40%, no Japão, reduzindo-a para 4 dias de trabalho/semana. Isto resultou num estímulo aos trabalhadores, muito provavelmente porque adequa a tão propalada conciliação da vida familiar com a vida profissional. Um exemplo de que podem sair todos a ganhar com soluções criativas e que rompam os conceitos instalados. Afinal de contas a sociedade de amanhã será construída pelos humanos, e não pelos robôs.

*Presidente da Federação Académica do Porto

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