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E quando a saúde mental fica confinada? Os perigos do adiamento do pedido de ajuda psicológica

E quando a saúde mental fica confinada? Os perigos do adiamento do pedido de ajuda psicológica

Durante o confinamento dos portugueses devido à contenção do vírus, chega-nos a notícia de uma menor procura dos serviços de urgência em situações graves de doença física e a sensibilização dos profissionais de saúde para que se continue a vigiar os problemas graves de saúde física e perante sintomas e sinais de alerta se procure ajuda.

Na área da saúde mental, sensibiliza-se para que estejamos atentos e empenhados no nosso autocuidado e das nossas famílias e reflete-se sobre possíveis consequências psicológicas do impacto desta situação de confinamento e dos danos associados à pandemia.

Estudos já realizados evidenciam maiores riscos para certas perturbações mentais em cenários de isolamento, os quais serão provavelmente reforçados em situações, pessoais e familiares, que já eram de risco (muitas vezes múltiplo). E se houve um decréscimo na procura efetiva de ajuda relativa à saúde física, na saúde mental provavelmente muito mais. No nosso país, tanto os serviços de saúde mental como a própria procura de ajuda para problemas psicológicos são menores e menos acessíveis, por diversos motivos, sendo frequente o recurso e/ou a resposta ao pedido de ajuda serem muito tardios, já em cenários graves e multiproblemáticos.

É urgente que, dentro do que é possível e acessível, não se adie o pedido de ajuda psicológica, especialmente neste cenário, que constitui um ativador (ou um fator de manutenção) perigoso e pesado de problemas de saúde mental, individuais e familiares (das crianças aos adultos). Face ao cenário, não sendo possível que todos tenham ajudas, nas famílias, apelo a que os adultos peçam ajuda para si, em primeiro lugar. São os timoneiros desta viagem, orientadores e modelos, com responsabilidades, exigências várias, desafios e dificuldades, que merecem e necessitam de ferramentas e estratégias para si próprios, como para lidar com as situações familiares e profissionais.

Não adie o pedido de ajuda, recorra aos recursos disponíveis: centro de saúde da sua área de residência, associações de apoio, linhas telefónicas de ajuda psicológica e social, consultas por videochamada (são vários os profissionais em saúde mental que o estão a fazer), rede de suporte (família, amigos/colegas, professores, técnicos e comunidade) e até mesmo os serviços de urgência. Peça ajuda.

Pela saúde mental, não adie. Peça ajuda.

Partilhe. Recorra. Não fique sozinho.

Psicóloga clínica

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