Opinião

É tempo de ser otimista?

É tempo de ser otimista?

Os problemas do Mundo não desapareceram com a covid. Alguns têm-se agravado, pondo em perigo centenas de milhões de vidas. Conflitos armados, catástrofes ambientais e fome afetam cada vez mais pessoas.

O ano de 2020 juntou a crise pandémica a outras crises que alastram e causam vítimas por todo o planeta. A ajuda internacional caiu significativamente em 2020 e é insuficiente para acudir a todas as situações humanitárias que se agravaram com a covid.

Mark Lowcock, responsável pela ajuda humanitária das Nações Unidas, em declarações recentes ao "The Guardian", alerta para a iminência de assistirmos, nas televisões, à morte por fome de um enorme número de crianças.

Abhijit Banerjee, prémio Nobel da Economia em 2019, considera que a covid é um tsunami que se abate sobre os sistemas educativos dos países em desenvolvimento, afetando centenas de milhões de crianças no seu desenvolvimento.

São dois exemplos de alertas que ilustram a verdadeira dimensão humana desta crise que está a ser particularmente cruel com as crianças.

Nunca como agora os esforços de cooperação, a todos os níveis, se revelam fundamentais. Nunca, como agora, estamos a falhar na capacidade de nos unirmos de forma global para articularmos a cooperação necessária ao desafio que enfrentamos.

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Tal como Winston Churchill, eu sou uma "otimista porque não me parece muito útil ser outra coisa". Se as crises representam oportunidades de recomeçarmos ou de melhorarmos a forma como fazemos as coisas é certo que não podemos esquecer os que são mais afetados, sejam os que nos são mais próximos, sejam aqueles que vivem em realidades distantes.

A solidariedade não pode ser uma palavra doente, infetada pelo vírus que nos invadiu as vidas. A solidariedade é a vacina contra as desigualdades e a forma de combatermos a pobreza e a fome que, não sendo doenças, matam.

É possível que muitas coisas não voltem a ser como dantes. Mas não podemos voltar atrás na capacidade de respondermos às crises humanitárias, sejam elas locais ou distantes. Os que mais sofrem não podem ser invisíveis, não podemos aceitar que o sejam.

Portugal, tal como o Mundo, deve saber aproveitar as lições desta crise para corrigir problemas anteriores. Podemos fazê-lo em conjunto, unidos e solidários. Ou podemos perder-nos em divisões e em conflitos inúteis porque nada resolvem.

Será que seremos capazes de mudar o nosso modelo de desenvolvimento tornando-o mais justo e mais equilibrado? Não me parece muito útil fazê-lo de outra maneira e este é o momento de começarmos.

*Presidente da Câmara de Matosinhos

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